A Acadêmicos do Grande Rio será a penúltima escola a cruzar a Marquês de Sapucaí na terça-feira (17/2), com desfile previsto entre 0h55 e 1h15. Além da expectativa em torno do enredo, a noite também marca a estreia de Virginia na tricolor de Duque de Caxias — fator que aumenta ainda mais a curiosidade sobre a apresentação.

Com o tema “A nação do mangue”, a escola propõe um mergulho musical e cultural que nasce na lama e ganha o coração da Avenida. O ponto de partida é Recife, mas a narrativa amplia o olhar para a potência das periferias e das margens — territórios que transformam abandono em identidade e força criativa.

Da lama à resistência

O enredo começa no mangue recifense, onde rio e mar se encontram e a vida floresce. Por muito tempo, o local foi associado à pobreza e à sujeira. Para quem vivia ali, no entanto, o mangue sempre foi símbolo de fertilidade, berçário de espécies e histórias.

Foi desse cenário que, no início dos anos 1990, emergiu uma virada cultural. Jovens artistas passaram a defender que a energia transformadora viria justamente das margens. Assim nascia o Manguebeat, movimento que uniu tradição e modernidade com linguagem própria.

Chico Science e o som que rompeu fronteiras

À frente da revolução estava Chico Science, que misturou maracatu, coco e ciranda a referências do rock, do hip-hop e da música eletrônica. A lama virou metáfora de potência criativa; o caranguejo, símbolo de identidade; e a periferia, protagonista.

As letras abordavam desigualdade e exclusão, mas também celebravam invenção, festa e resistência. O Manguebeat ultrapassou fronteiras regionais, influenciou artistas em todo o país e consolidou a cultura das margens como força transformadora.

Agora, a Grande Rio leva essa trajetória para a Sapucaí, conectando Recife a Duque de Caxias em um desfile que promete ritmo, impacto visual e afirmação cultural. Para Virginia, a estreia acontece justamente nesse cenário simbólico, marcado por identidade, resistência e protagonismo periférico.