A Polícia Federal concluiu, pela segunda vez, que não há provas de interferência indevida do ex-presidente Jair Bolsonaro na corporação. A nova análise revisou o inquérito aberto para investigar possíveis pressões sobre a instituição.

A reavaliação foi feita após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que mandou reabrir o caso. A investigação teve início depois da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em 2020.

Na ocasião, Moro afirmou ter sofrido pressão de Bolsonaro para realizar mudanças em cargos de comando da Polícia Federal. Entre as suspeitas, estava o interesse do então presidente em acompanhar investigações envolvendo aliados, incluindo o chamado inquérito das fake news.

À época, a própria PF já havia concluído que não houve interferência, e o então procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu o arquivamento do caso.

Agora, sob nova gestão, a corporação revisou as provas reunidas e manteve o entendimento de que não há elementos suficientes para responsabilização criminal.

Em relatório complementar, o delegado responsável afirmou que as diligências realizadas não identificaram informações capazes de sustentar imputações penais. Ele também destacou que o STF foi consultado sobre possíveis evidências no inquérito das fake news, mas não foram apontadas provas de interferência.

O documento ainda indica que eventuais suspeitas relacionadas a outros processos sob relatoria de Moraes devem ser apuradas diretamente nesses procedimentos.

Com a nova conclusão, o ministro encaminhou o caso para análise do atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, que poderá decidir por novas diligências ou pelo arquivamento definitivo da investigação.