A morte da empresária Ariene Rodrigues, no Maranhão, após se submeter a uma cirurgia de lipoaspiração em uma clínica particular de São Luís, reacendeu o debate sobre os cuidados e as condições de segurança necessárias para a realização do procedimento. Popular no Brasil e no mundo, a lipoaspiração exige critérios rigorosos para reduzir riscos à saúde dos pacientes.
Segundo o cirurgião plástico e professor Ricardo Cavalcanti, coordenador da Divisão de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), a escolha do profissional e do local onde a cirurgia será realizada é determinante para a segurança do procedimento. Ele alerta que o paciente deve priorizar hospitais com estrutura adequada, além de verificar se o médico é devidamente habilitado.
Antes de optar pela cirurgia, Cavalcanti destaca que é indispensável uma avaliação médica completa, com análise do histórico clínico, exames laboratoriais e verificação das condições gerais de saúde. O especialista reforça que a lipoaspiração não é um método de emagrecimento, mas um procedimento voltado à remoção de gordura localizada e à melhoria do contorno corporal.
Outro ponto fundamental envolve os cuidados pré-operatórios. O paciente deve receber orientações claras sobre a suspensão de medicamentos que aumentem o risco de sangramento, interrupção do tabagismo e adoção de hábitos saudáveis nas semanas anteriores à cirurgia. “A realização do procedimento em ambiente hospitalar, com equipe médica completa e protocolos de segurança, é essencial para minimizar riscos”, explica.
O cirurgião também chama atenção para a formação profissional exigida para a especialidade. Para se tornar cirurgião plástico, o médico precisa concluir seis anos de graduação em medicina, além de três anos de residência em cirurgia geral e outros três anos em cirurgia plástica. Após a formação, é necessário obter o título pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e registrá-lo no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Além da avaliação técnica, o alinhamento de expectativas entre médico e paciente faz parte do processo. O especialista ressalta que o paciente deve compreender os limites do procedimento, os cuidados no pós-operatório e os riscos envolvidos — ainda que considerados baixos quando a cirurgia segue os protocolos médicos recomendados.
“A lipoaspiração é um procedimento consagrado para modelar o contorno corporal, mas exige planejamento rigoroso e acompanhamento adequado em todas as etapas”, afirma Cavalcanti.
De acordo com dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o Brasil realizou cerca de 290 mil lipoaspirações em 2024, número que mantém o procedimento entre os mais realizados no país. A cirurgia representa aproximadamente de 12% a 15% das intervenções estéticas realizadas no Brasil, que figura ao lado dos Estados Unidos como um dos líderes mundiais em cirurgia plástica.
No cenário global, a lipoaspiração também permanece entre as cirurgias estéticas mais frequentes. Levantamento da ISAPS indica que cerca de 2 milhões de procedimentos foram realizados em todo o mundo, dentro de um universo superior a 17 milhões de cirurgias plásticas estéticas, disputando as primeiras posições com cirurgias como aumento de mama e blefaroplastia.