O adiamento do julgamento do caso Henry Borel, que chocou o país, provocou reações opostas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nesta segunda-feira. Enquanto réus e familiares comemoraram a decisão, o pai do menino, Leniel Borel, chorou ao deixar o plenário.

A juíza Elizabeth Louro determinou o relaxamento da prisão de Monique Medeiros, mãe de Henry, ao entender que a manutenção da custódia seria “constrangimento ilegal”, já que o adiamento do júri ocorreu por fatores alheios à acusada. No plenário, Monique se emocionou, abraçou advogados, fez o sinal da cruz e levantou as mãos.

Na plateia, familiares da ré usavam camisetas com a frase “Monique é inocente” e reagiram com gritos e choro após a decisão. Já Leniel Borel se mostrou inconformado com o desfecho e criticou duramente o adiamento, que atribuiu à estratégia da defesa do ex-vereador Dr. Jairinho.

O padrasto de Henry teve a prisão mantida. Durante a sessão, ele abraçou uma de suas advogadas após o anúncio da suspensão — medida que já vinha sendo defendida por sua equipe. O julgamento foi interrompido após os advogados de Jairinho deixarem o plenário, o que levou a magistrada a adiar o júri.

Henry Borel, de 4 anos, morreu em março de 2021, após dar entrada em um hospital já sem vida e com sinais de agressões. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique é acusada de homicídio por omissão, além dos mesmos crimes. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.

Na decisão, a juíza apontou que a saída da defesa indicava uma estratégia “premeditada” e classificou o ato como “interrupção indevida do curso processual”. Ela determinou ainda que a OAB apure possíveis infrações éticas dos advogados e que o Tribunal de Justiça avalie os custos gerados com a sessão.

A magistrada também advertiu que, em caso de novo abandono, o julgamento poderá ocorrer mesmo sem os advogados constituídos, com a atuação da Defensoria Pública.

Após a suspensão, Leniel voltou a criticar a decisão e afirmou que o adiamento representa um novo golpe para a família. Ele também questionou a soltura de Monique.

A defesa da mãe de Henry afirmou que a decisão representa uma “primeira vitória” e disse confiar na absolvição ao fim do processo.

Já os advogados de Jairinho alegaram que deixaram o plenário por falta de acesso integral às provas, o que, segundo eles, comprometeria um julgamento justo. A defesa afirmou ainda que continua representando o ex-vereador no processo.