O Ministério Público do Maranhão ajuizou Ação Civil Pública contra 11 salões de beleza de São Luís após identificar irregularidades sanitárias graves e reiteradas, além de falhas em normas de biossegurança e segurança contra incêndio.
A investigação foi conduzida pela 11ª Promotoria de Justiça Especializada, com base em relatórios da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros. Segundo o MP, os estabelecimentos expunham clientes a risco concreto de contaminação por doenças como hepatites B e C e HIV, principalmente devido à esterilização inadequada de instrumentos utilizados em procedimentos estéticos.
De acordo com a apuração, houve casos em que alicates e tesouras não passavam por esterilização correta, além de simulação do procedimento com a simples inserção dos materiais em embalagens, sem uso efetivo de autoclave.
Apenas um regularizou integralmente
Dos 12 estabelecimentos inicialmente fiscalizados, apenas o Haus 265 comprovou a regularização completa das pendências e ficou fora da ação judicial. Os demais alvos do processo são:
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Be Beauty (Olho D’Água e Ponta do Farol)
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Centro de Beleza Eunice Queiroz (Parque Shalon)
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Márcia Lima Salão & Estética (Parque Athenas)
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Dot Beauty (Calhau)
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Dom Concept (Calhau)
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Lushe Beauty (Parque Atlântico)
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Drili Beauty House (Calhau)
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Autier Studio (Ponta do Farol)
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Studium Jaqueline Mendes (Cohama)
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Celso Kamura (Calhau)
Segundo o MP, mesmo após fiscalizações sucessivas, diversas irregularidades persistiram, principalmente na esterilização de materiais, gestão de resíduos, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e ausência de documentos obrigatórios, como o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), Atestados de Saúde Ocupacional (ASO) e licenças sanitárias.
Falhas estruturais e risco de incêndio
As inspeções também apontaram problemas estruturais e de segurança, como:
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extintores vencidos ou insuficientes;
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ausência de sinalização e iluminação de emergência;
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escadas sem corrimão;
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fiação exposta;
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falta de Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros.
Embora parte dos salões tenha regularizado as pendências relacionadas à segurança contra incêndio ao longo do processo, as irregularidades sanitárias continuaram sendo registradas em reinspeções.
Em alguns casos, foram encontrados produtos vencidos, descarte irregular de lâminas e materiais perfurocortantes, ausência de controle sobre a validade de cosméticos e falhas no registro do ciclo de esterilização da autoclave.
Pedido de indenização
Na ação, o Ministério Público pede a condenação dos réus ao pagamento de R$ 1,1 milhão por danos morais coletivos — o equivalente a R$ 100 mil por estabelecimento.
O órgão também requer liminar para que os salões apresentem, no prazo de 30 dias, toda a documentação sanitária exigida e comprovem a adoção contínua de procedimentos adequados de esterilização, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
Segundo o MP, a medida busca garantir a proteção dos consumidores e impedir que serviços de estética oferecidos na capital maranhense representem risco à saúde pública.