O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no último sábado (20) que uma eventual intervenção armada na Venezuela representaria uma catástrofe humanitária. Segundo ele, as principais ameaças à soberania dos países atualmente não vêm da integração regional, mas da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado.

A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Venezuela e Estados Unidos, cenário que tem gerado preocupação quanto à possibilidade de um conflito armado.

Durante discurso na abertura da 67ª Reunião de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada em Foz do Iguaçu (PR), Lula alertou para a presença militar de potências externas na América do Sul. Ele comparou o momento atual ao período da Guerra das Malvinas, há mais de 40 anos.

“Passadas mais de quatro décadas desde a Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, afirmou o presidente.

Lula também rebateu críticas à integração regional, destacando que ela não compromete a soberania nacional. “Há quem argumente que avançar na integração é abrir mão da soberania. Mas as verdadeiras ameaças à nossa soberania são de outra natureza. Elas se apresentam, hoje, sob a forma da guerra, das forças antidemocráticas e do crime organizado”, disse.

Na última quinta-feira (18), em entrevista a jornalistas, o presidente revelou que tem mantido diálogo tanto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo Lula, o Brasil defende o diálogo diplomático como o melhor caminho para evitar uma escalada do conflito entre os dois países.