O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (27) que mantém uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que “adoraria” recebê-lo na Casa Branca.

A declaração foi dada pouco antes de Trump embarcar para o Texas. Questionado por uma repórter sobre a recepção de líderes latino-americanos prevista para março — cuja lista não deve incluir Lula — o republicano foi direto ao responder se gostaria de receber o brasileiro em Washington.

“Eu me dou muito bem com o presidente do Brasil. Muito bem. Eu adoraria”, disse, sem entrar em detalhes.

Aceno público e bastidores delicados

Apesar do gesto público, os bastidores da relação entre Brasília e Washington indicam um cenário mais sensível. O governo Trump nomeou recentemente Darren Beattie como assessor sênior para políticas relacionadas ao Brasil, segundo revelou a agência Reuters.

O posto é estratégico: cabe ao assessor propor e supervisionar as ações e diretrizes dos EUA voltadas ao Brasil. A indicação foi confirmada por autoridades do Departamento de Estado à Reuters, e Beattie já estaria no exercício da função.

A escolha chama atenção pelo histórico do novo assessor. Beattie é identificado com a ala mais à direita do espectro político americano e esteve no centro da recente tensão diplomática envolvendo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

Em meio à crise, ele classificou o ministro Alexandre de Moraes como “principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro”, ampliando o desgaste entre setores dos dois países.

Relação em teste

No site oficial do Departamento de Estado, Beattie é descrito como “principal autoridade para Diplomacia Pública” e defensor da promoção ativa da liberdade de expressão como instrumento diplomático.

O gesto cordial de Trump em relação a Lula, portanto, ocorre em paralelo a movimentos internos que indicam que a relação entre as duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental segue sob tensão — ainda que mantida no campo institucional.