Morreu neste sábado (20) o cantor Lindomar Castilho, um dos principais nomes da música brega no Brasil. Dono de sucessos populares como Você É Doida Demais, o artista construiu uma carreira marcada por grande apelo popular nos anos 1970, mas também por um dos crimes mais emblemáticos da história da música brasileira: o assassinato da ex-mulher, a cantora Eliane de Grammont.

O episódio voltou a repercutir após a morte do cantor, motivado por um desabafo público da filha do casal, Lili de Grammont, nas redes sociais. Na mensagem, ela relacionou a despedida do pai à violência que marcou profundamente sua história familiar.

Em tom emocional, Lili afirmou que se despede de Lindomar com a sensação de ter feito tudo o que lhe foi possível. “Com dor, sim, mas com todo o amor que aprendi a sentir e a expressar nesta vida”, escreveu. Ela também refletiu sobre a complexidade do perdão diante de uma tragédia tão profunda.

“Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou um não. Ela envolve todas as camadas das dores e das delícias de existir, de ser um ser complexo e em constante transformação”, afirmou.

Crime que marcou uma geração

Conhecido como o “Rei do Bolero”, Lindomar Castilho alcançou projeção nacional ao se tornar um dos artistas que mais venderam discos no país durante os anos 1970. No mesmo período, iniciou um relacionamento com Eliane de Grammont, cantora em ascensão na época.

Com o tempo, a relação passou a ser marcada por episódios de controle, brigas constantes e violência. Cerca de 15 anos mais velho, Lindomar pressionava Eliane a abandonar a carreira artística, o que tornou a convivência insustentável. Após cerca de um ano de casamento, ela decidiu se separar — decisão que não foi aceita pelo cantor.

Em 30 de março de 1981, enquanto Eliane se apresentava em um bar na zona sul de São Paulo, Lindomar entrou no local e atirou contra a ex-mulher, que morreu no palco. A filha do casal tinha menos de dois anos de idade na época.

O crime chocou o país e se tornou um marco no debate sobre violência doméstica. Lindomar foi condenado a 12 anos de prisão, e o lema “Quem ama não mata” ganhou força como símbolo de combate ao feminicídio.

Vida longe dos holofotes

Após cumprir parte da pena — os dois primeiros anos em São Paulo e o restante em um presídio em Goiás — Lindomar deixou a prisão na década de 1990. Desde então, passou a viver de forma discreta, afastado dos palcos e da mídia.

Em 2012, em uma rara declaração pública, afirmou se arrepender do crime “todos os dias”.

A morte do cantor encerra uma trajetória marcada por sucesso comercial, mas também por uma tragédia que atravessou gerações e segue viva na memória da música e da sociedade brasileira.