Presa sob suspeita de envolvimento na morte de pacientes, a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, afirmou que foi vítima de uma tentativa de homicídio dentro do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Segundo ela, o autor teria sido um colega de trabalho, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, também investigado no caso.
A informação foi confirmada pelo advogado de Amanda, Liomar Torres. De acordo com a defesa, o episódio teria ocorrido enquanto a técnica de enfermagem se recuperava de uma cirurgia bariátrica e estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em dezembro.
Amanda deu entrada na UTI no dia 3 de dezembro, após desenvolver uma infecção decorrente do procedimento cirúrgico. Segundo o advogado, ela teria recebido uma medicação administrada por Marcos Vinícius e, em seguida, apresentou uma aceleração cardíaca intensa. Ainda conforme o relato, a enfermeira-chefe de plantão interveio e teria alertado sobre o acesso do colega ao ambiente hospitalar.
A defesa afirma que Amanda começou a trabalhar no Hospital Anchieta em janeiro de 2025 e conheceu Marcos Vinícius no mês seguinte. Os dois teriam mantido um relacionamento extraconjugal. Segundo Liomar Torres, a técnica de enfermagem relatou sentir-se enganada e manipulada pelo colega, a quem acusa de mentir durante o relacionamento.
O advogado também sustenta que Amanda não teve participação nem conhecimento dos crimes investigados. Segundo ele, a técnica de enfermagem não estaria de plantão no dia da morte do carteiro Marcos Raymundo, de 33 anos, uma das vítimas do caso.
“Ela é inocente. As imagens divulgadas não comprovam nada e foram analisadas de forma seletiva”, afirmou Liomar Torres.
Sobre a suspeita de aplicação de detergente na veia de uma paciente — uma das linhas de investigação da polícia —, a defesa diz que Amanda negou ter presenciado qualquer administração desse tipo de substância. A paciente citada sofreu sucessivas paradas cardíacas e morreu após receber várias doses de medicamentos.
Uma imagem publicada anteriormente nas redes sociais de Amanda mostra a técnica de enfermagem recebendo alta hospitalar ao lado de Marcos Vinícius e de Marcela Camilly Alves da Silva, os outros dois profissionais investigados. Na postagem, ela agradeceu à equipe da UTI pelo período de internação e afirmou que retornaria em breve ao trabalho.
Em nota, o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) informou que Amanda integrou o quadro de funcionários da unidade em 2020, onde trabalhou por apenas oito dias.
Nas redes sociais, Amanda se apresentava como “mãe e cristã” e costumava compartilhar conteúdos religiosos, além de fotos e vídeos com a filha. Ela também afirmava atuar como intensivista e instrumentadora cirúrgica, funções que exigem formação técnica específica para atuação em UTI.
O caso veio à tona após denúncia feita pelo próprio Hospital Anchieta, que identificou circunstâncias consideradas atípicas envolvendo os três técnicos de enfermagem durante plantões na UTI. A instituição informou que instaurou investigação interna por iniciativa própria.
A apuração policial deve resultar no indiciamento dos suspeitos por homicídio doloso qualificado, sob a justificativa de impossibilidade de defesa das vítimas. Se condenados, as penas podem variar de 9 a 30 anos de prisão.
