Sensação constante de peso nas pernas, inchaço persistente e dificuldade para reduzir medidas mesmo com dieta e exercício são queixas comuns em consultórios e que podem ter diferentes causas. Entre elas, duas condições frequentemente confundidas são o lipedema e o linfedema. Apesar de terem nomes semelhantes e afetarem principalmente os membros inferiores, as doenças têm origens distintas e exigem abordagens específicas de diagnóstico e tratamento.

De acordo com a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, especialista no tratamento do lipedema, compreender as diferenças entre essas condições é fundamental para evitar diagnósticos equivocados e garantir um manejo adequado dos sintomas.

“O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Já o linfedema está relacionado a uma alteração no sistema linfático, que provoca o acúmulo de líquido nos tecidos e causa inchaço persistente”, explica.

Segundo a Dra. Mariana, o lipedema afeta predominantemente mulheres e costuma surgir ou se agravar em fases de mudanças hormonais, como puberdade, gravidez ou menopausa. Entre os fatores associados estão predisposição genética, alterações hormonais e possíveis mudanças na microcirculação.

Uma das características mais marcantes da doença é a distribuição simétrica da gordura nos membros inferiores, geralmente poupando mãos e pés. Além da alteração estética, muitas pacientes relatam sintomas físicos como dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas, cansaço e aparecimento frequente de hematomas.

“O lipedema não deve ser confundido com obesidade comum. Muitas mulheres mantêm hábitos saudáveis e, ainda assim, apresentam dificuldade para reduzir esse acúmulo de gordura apenas com dieta e exercício”, afirma a Dra. Mariana.

Já o linfedema tem uma origem diferente. A doença ocorre quando o sistema linfático não consegue drenar adequadamente a linfa, um líquido rico em proteínas que circula pelo organismo, levando ao acúmulo desse fluido nos tecidos.

O problema pode ser classificado como primário, quando surge devido a alterações congênitas no sistema linfático, ou secundário, quando aparece após cirurgias, infecções, traumas ou tratamentos como a radioterapia.

Ao contrário do lipedema, o linfedema pode afetar homens e mulheres e costuma envolver também os pés ou as mãos. O inchaço tende a ser persistente, podendo ocorrer de forma assimétrica e, em estágios mais avançados, a pele pode apresentar endurecimento.

Para diferenciar as condições, o diagnóstico clínico é considerado fundamental. No caso do lipedema, os profissionais avaliam o histórico do paciente, o padrão de distribuição da gordura, a presença de dor e sensibilidade e a preservação das mãos e dos pés. Exames complementares podem auxiliar na avaliação do tecido subcutâneo e na exclusão de outras doenças.

No linfedema, além do exame físico, testes específicos podem ajudar na identificação da condição, assim como exames de imagem que avaliam o funcionamento do sistema linfático.

O tratamento também varia de acordo com o diagnóstico. Para o lipedema, as estratégias incluem mudanças no estilo de vida, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos orientados, drenagem linfática manual e uso de terapias compressivas. Em alguns casos selecionados, pode ser indicada cirurgia com técnica específica de lipoaspiração voltada ao tratamento da doença.

Já no linfedema, o tratamento geralmente envolve a chamada terapia descongestiva, considerada padrão no manejo da condição. O protocolo inclui drenagem linfática, compressão com bandagens ou malhas elásticas, exercícios específicos e cuidados com a pele para prevenir infecções.

“A identificação precoce faz toda a diferença para controlar a progressão dos sintomas e preservar a funcionalidade do paciente”, ressalta a Dra. Mariana Milazzotto.

A especialista também destaca que a alimentação equilibrada pode contribuir para o controle das duas condições. Embora nenhuma dieta seja capaz de curar lipedema ou linfedema, hábitos alimentares saudáveis ajudam a reduzir processos inflamatórios, controlar o peso corporal e favorecer o funcionamento do sistema vascular e linfático