O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nessa terça-feira (7/4) que decidiu adiar por duas semanas o ultimato imposto ao Irã, condicionando a medida à reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial. O governo iraniano confirmou o acordo, que prevê a liberação do canal por um período inicial de 14 dias.
A decisão veio após horas de forte tensão internacional. Mais cedo, Trump havia estabelecido prazo até as 21h (horário de Brasília) para que Teerã reabrisse o estreito, fechado em resposta a ataques dos EUA e de Israel. Em uma das declarações mais duras desde o início do conflito, o republicano chegou a afirmar que uma “civilização inteira” poderia desaparecer caso os ataques previstos fossem realizados.
A ameaça elevou o nível de alerta global ao longo de cerca de 10 horas, marcadas por reações de autoridades internacionais e escalada militar na região.
Escalada de tensão
Desde o início da guerra, Trump tem afirmado que os Estados Unidos estão em vantagem no confronto com o Irã. Apesar disso, Teerã mantém ataques de retaliação e sinaliza que não pretende recuar.
Horas antes da declaração do presidente norte-americano, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de cidadãos estariam dispostos a morrer pelo país.
Reação do Irã
A retórica de Trump foi criticada por autoridades iranianas. O embaixador do país na ONU, Amir-Saeid Iravani, classificou as falas como uma possível incitação a crimes de guerra e até genocídio.
Durante reunião do Conselho de Segurança, o diplomata afirmou que o Irã responderá de forma proporcional a qualquer ataque e não aceitará ameaças sem reação.
Novos ataques
Ainda na terça, os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra a ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano. A ofensiva foi confirmada pelo vice-presidente norte-americano, J.D. Vance.
Repercussão internacional
As declarações de Trump provocaram reações imediatas de líderes políticos e autoridades internacionais.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, demonstrou preocupação com o tom das ameaças, alertando para os riscos de que populações inteiras sejam afetadas por decisões militares.
Já o papa Leão XIV classificou como “inaceitáveis” as falas direcionadas ao povo iraniano e fez um apelo pelo fim do conflito, destacando a necessidade de proteger civis, especialmente crianças.
