O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (8), que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve a imagem abalada após o escândalo envolvendo o Banco Master. Durante entrevista, ele revelou ter feito um alerta direto ao ministro Alexandre de Moraes.
“Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de Janeiro. Não permita que esse caso jogue fora sua biografia”, disse Lula, ao relatar conversa com o magistrado.
Segundo o presidente, a ligação do caso com o STF acaba gerando desgaste público, mesmo que não haja ilegalidade comprovada. “Em ano político, isso ganha ainda mais destaque e passa a impressão de algo imoral”, afirmou.
Lula também defendeu que Moraes se declare impedido de atuar em processos ligados ao Banco Master, por causa da relação do escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com a instituição financeira.
Conversa fora da agenda
O presidente contou que o alerta foi feito em um encontro reservado com Moraes, no início de março. A reunião aconteceu pouco depois do vazamento de mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
De acordo com interlocutores, Lula teria sinalizado que não pretende se afastar do ministro, que deve assumir a presidência do STF em 2027.
Código de ética e punições
Na entrevista, Lula também comentou a discussão sobre a criação de um Código de Ética para ministros do STF. Ele defendeu regras mais claras sobre a atuação dos magistrados.
“Quem chega à Suprema Corte tem que ter um compromisso quase religioso com a Constituição”, afirmou.
O presidente disse ainda que, se houver irregularidades comprovadas, os responsáveis devem ser punidos, mas sem prejudicar a imagem da instituição. “A Suprema Corte não pode pagar o preço por erros individuais”, declarou.
Valores sob investigação
Documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado no Senado apontam que o escritório da esposa de Moraes teria recebido cerca de R$ 80 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.
Os valores foram declarados à Receita Federal por meio de serviços prestados. Procurado, o escritório afirmou que não confirma as informações e destacou que os dados fiscais são sigilosos.
