O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a redução da jornada de trabalho e criticou o modelo 6×1, em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso por semana. A declaração foi feita nesta segunda-feira (13), durante cerimônia no Palácio do Planalto.

Na ocasião, o governo formalizou a ampliação da jornada reduzida para trabalhadores terceirizados do serviço público federal, que passam a ter carga semanal de 40 horas, sem corte salarial. A medida pode alcançar até 60 mil pessoas e dá continuidade a ações iniciadas nos últimos anos.

Ao comentar o tema, Lula afirmou que o avanço tecnológico já não justifica rotinas tão extensas. Segundo ele, o modelo atual compromete a qualidade de vida dos trabalhadores.

Mudanças para terceirizados

Além da jornada, o governo também regulamentou o pagamento do reembolso-creche para terceirizados que atuam em contratos com dedicação exclusiva. O benefício será de até R$ 526,64 por dependente e deve atender milhares de crianças.

Durante o evento, o ministro Guilherme Boulos afirmou que a medida está alinhada à proposta de redução da jornada sem diminuição de salários e ao debate sobre o fim da escala 6×1.

Já a ministra Esther Dweck destacou que a mudança busca reduzir diferenças entre servidores e terceirizados dentro do serviço público, já que categorias distintas cumpriam cargas horárias diferentes.

Debate sobre jornada

Lula também mencionou a intenção de, no futuro, reduzir a presença de trabalhadores terceirizados no Palácio do Planalto, como forma de valorizar vínculos diretos.

As novas regras, no entanto, não se aplicam a profissionais que atuam em escalas específicas, como 12×36 ou 24×72.

O tema da jornada de trabalho tem ganhado espaço no debate público, especialmente diante de queixas sobre sobrecarga e falta de tempo para descanso e convivência familiar.