Moradores do Cohatrac, em São Luís, enfrentam uma nova crise no transporte público após a redução de linhas de ônibus na região. A situação piorou nesta terça-feira (14), depois que a Justiça determinou que a Prefeitura assuma, de forma direta ou indireta, a operação das linhas do chamado Lote 2.

Relatos de passageiros apontam longas esperas e veículos já lotados ao chegarem aos pontos. Em alguns casos, o intervalo entre ônibus chega a quase uma hora, cenário que tem provocado superlotação e dificultado o deslocamento diário de trabalhadores e estudantes.

Justiça decreta fim de contrato e paralisação

A decisão judicial também determinou a caducidade imediata do contrato da concessionária responsável pelo serviço. O entendimento foi de que houve abandono das operações e incapacidade de cumprir obrigações financeiras.

A medida foi tomada após audiência de conciliação que confirmou a paralisação total das atividades da empresa Via SL ainda nas primeiras horas desta terça. Segundo o gerente da concessionária, Diego Rocha, a empresa não tem condições financeiras de retomar o serviço, o que configura descumprimento contratual.

Passageiros sofrem com atrasos e lotação

Com menos ônibus circulando, a rotina dos usuários foi diretamente impactada. Há registros de passageiros aguardando desde as 5h da manhã, com o primeiro coletivo chegando apenas por volta das 6h30.

A escassez de veículos intensifica a lotação e aumenta o tempo de viagem, gerando prejuízos e insatisfação para quem depende do transporte público na capital.

MP pede intervenção e Prefeitura tem 48 horas

O Ministério Público do Maranhão pediu a intervenção após sucessivos descumprimentos por parte da empresa. A Justiça deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de São Luís restabeleça integralmente as linhas afetadas.

A decisão prevê medidas emergenciais para evitar colapso no sistema e garantir o direito de ir e vir da população.

Ônibus podem ser requisitados para operação

Para viabilizar a retomada do serviço, foi autorizada a requisição administrativa de até 30 ônibus pertencentes à empresa VAMOS, que estavam sob posse da Via SL.

Como forma de compensação, o município deverá reter R$ 10 mil mensais por veículo, com recursos provenientes de passes escolares e vales-transporte.

Crise pode se ampliar e gerar nova greve

A caducidade do contrato do Consórcio Via SL foi baseada na inexecução total das obrigações, considerada uma ruptura definitiva por culpa da concessionária.

A operação emergencial será coordenada pela SMTT até a realização de nova licitação para o Lote 2. A Justiça recomendou que trabalhadores da própria Via SL tenham prioridade na recontratação.

Além disso, há risco de ampliação da crise. O Sindicato dos Rodoviários alertou que empresas de outro consórcio — como Rio Negro/Tapajós, Speed Car/Marina e Patrol — não pagaram reajustes salariais definidos pela Justiça do Trabalho, o que pode levar a uma nova paralisação no sistema.

A decisão tem caráter urgente, e o descumprimento das medidas pode resultar em sanções aos envolvidos.