A rotina de trabalho na escala 6×1 voltou ao centro do debate na Assembleia Legislativa do Maranhão nesta quarta-feira (15). Em discurso, o deputado estadual Carlos Lula (PSB) criticou o modelo, afirmando que ele impõe aos trabalhadores uma dinâmica que vai além do esforço cotidiano e se aproxima de uma lógica de sobrevivência.

Segundo o parlamentar, a carga de seis dias consecutivos de trabalho com apenas um de descanso afeta diretamente a saúde física e mental, além de comprometer a qualidade de vida. Ele destacou que esse formato é comum principalmente entre trabalhadores do comércio e dos serviços, como atendentes, caixas e garçons.

Carlos Lula também comentou a proposta enviada ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem corte salarial. Para o deputado, a medida representa um avanço nas relações de trabalho.

Na avaliação dele, a escala 6×1 atinge de forma mais intensa trabalhadores com menor renda e menos garantias, contribuindo para ampliar desigualdades. O parlamentar ainda chamou atenção para os efeitos do excesso de trabalho na saúde, citando problemas como esgotamento e depressão.

O deputado ressaltou que o Maranhão figura entre os estados com maior número de pessoas submetidas a esse tipo de jornada, especialmente nos setores de comércio e serviços. Ele defendeu que modelos como a escala 5×2, já adotados em algumas áreas, podem ser ampliados sem prejuízo econômico.

Para Carlos Lula, a discussão vai além da organização do trabalho e envolve a possibilidade de garantir melhores condições de vida.