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Conheça a história do ex-flanelinha que virou empreendedor em São Luís

Flávio Jamaica começou a vida lavando carros no Centro e hoje atua no mercado de bebidas. Sua história de superação motiva pessoas ao seu redor

Redação
Por Redação 07/06/2026 12h20 • Atualizado em 08/06/2026 13h14
Conheça a história do ex-flanelinha que virou empreendedor em São Luís
Empreender após os 50 anos tem se tornado uma tendência em crescimento, demonstrando que a idade não é uma barreira para alcançar novos objetivos. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

Por Udes Filho

SÃO LUÍS: O mundo do empreendedorismo é recheado de histórias inspiradoras, mas a de Flávio dos Santos Soares, de 56 anos, que atende pelo nome de “Flávio Jamaica”, é uma daquelas de motivar mesmo o mais pessimista dos empreendedores. Maranhense de Peri-Mirim e radicado em São Luís, Jamaica fez de tudo antes de atuar no mundo dos negócios: foi flanelinha, lavador de carros, vendedor ambulante e DJ de reggae.   

Quem costuma vê-lo no seu comércio de bebidas, localizado na Rua do Ribeirão, 373, na esquina da Fonte do Ribeirão, no Centro da capital maranhense, dificilmente imaginam os desafios que ele enfrentou para tornar seu negócio realidade. Uma das primeiras batalhas vencidas, segundo ele, foi a dificuldade na infância.

Nascido em uma família humilde, é filho de um casal de lavradores do interior do estado. Aos 12 anos, deixou sua terra natal para morar com outros familiares na capital maranhense com o sonho de realizar uma carreira profissional.   

De lavador à empreendedor  

Os planos não saíram como planejado e ele recorreu a trabalhos informais (os chamados “bicos”) para sobreviver. Era comum ver o Flávio Jamaica, durante a adolescência, pelo Centro Histórico, enquanto ele cuidava de carros na região.     

Apesar das dificuldades, Jamaica nunca viu isso como empecilho para a realização de seu sonho.  No entanto, foi preciso muita determinação para superar todos os obstáculos impostos pela vida. Anos depois, ele decidiu virar vendedor ambulante e montou uma barraca de bebidas nas proximidades do 1º Tabelionato de Notas, conhecido como Cartório Tito Antônio de Sousa Soares.   

Flávio Jamaica se emociona ao revisitar sua história de vida inspiradora, repleta de superações. Ele relembra os desafios de viver nas ruas, trabalhando como flanelinha e lavador de carros, até dar os primeiros passos no mundo do empreendedorismo. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

Reggae impulsionou negócio 

Os empecilhos que, como costuma dizer, serviram como provas para capacitá-lo a enfrentar grandes desafios. Com isso, o sonho de se tornar um empreendedor virou uma realidade, durante a pandemia da Covid-19.  Entusiasmado, Flávio resolveu então ousar: decidiu alugar um ponto comercial para expandir suas vendas de bebidas. O medo, contudo, era de não conseguir pagar o aluguel do imóvel.

Em pouco tempo, o negócio prosperou, e ele foi ainda mais longe: não apenas ampliou o comércio de bebidas, mas também investiu em um bar. Nesse espaço, apostou na trilha sonora do reggae roots, subgênero musical originado na Jamaica entre o final dos anos 1960 e a década de 1980, período amplamente reconhecido como a “era de ouro” do ritmo.    

O sucesso fez o empreendedor se tornar DJ e começou a investir também na compra de clássicos do reggae. O nosso personagem se diz um apaixonado pelo ritmo musical por focar em mensagens de conscientização social, espiritualidade e resistência contra a opressão, servindo como um verdadeiro grito de luta dos oprimidos.   

“Eu amo o reggae e não é à toa que sou conhecido como Flávio Jamaica. O ritmo musical define bem a minha trajetória de vida e mostra a importância da persistência na busca de objetivos”, declarou.   

A história deste empreendedor ludovicense se confunde com a de milhares de maranhenses. A diferença, entretanto, é que além de se orgulhar do seu passado, ele ousou ser mais, batalhou e encontrou na própria dificuldade a chance de mudar de vida. 

Com história inspiradora como a de Flávio Jamaica, fica evidente que empreender aos 50 anos não só é possível, mas pode ser uma alternativa valiosa para manter a autonomia financeira e o bem-estar. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

Recorde de negócios   

Empreender é um desafio em qualquer etapa da vida, mas iniciar um negócio próprio depois dos 50 anos, uma fase em que muitos optam por desacelerar, demanda ainda mais determinação e coragem. De acordo com dados da Junta Comercial (Jucema), o Maranhão superou a marca de 473 mil empresas ativas, com mais de 97% dos novos negócios sendo microempresas e Microempreendedores Individuais (MEIs).  

O órgão estima que o estado deve alcançar a marca histórica de 500 mil empresas ativas até o primeiro semestre de 2026. No ranking das cidades com maior número de formalizações, São Luís liderou com mais de 20 mil novos registros em 2025, seguida por Imperatriz, São José de Ribamar e Timon.   

Mudança que se consolida no país 

A história do ex-flanelinha maranhense reflete uma mudança significativa que vem se consolidando em todo o território nacional. Atualmente, o Brasil possui mais de 10 milhões de empreendedores com mais de 50 anos, o que representa uma fatia expressiva de cerca de 26% dos pequenos negócios do país, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) Contínua. 

Os números são comparáveis ao estudo conduzido pelo BRE – FGV em 2025, que revelou que 37,6% dos empregadores e 33,6% dos trabalhadores autônomos no Brasil têm 50 anos ou mais. A pesquisa revelou que a maioria dos empreendedores depende do próprio negócio como principal fonte de renda. Entre os desafios mais mencionados estão a alta carga tributária, a dificuldade de acesso ao crédito e a excessiva burocracia. 

De ruas ao mercado de bebidas: aos 56 anos, ex-flanelinha tem vida transformada pelo empreendedorismo. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

Nunca é tarde para começar   

Flávio Jamaica afirmou que, aos 56 anos, acredita que nunca é tarde para abrir o próprio negócio e caminhar novos passos na vida. Segundo ele, a consultoria recebida do Sebrae foi fundamental para a elaboração de um plano de negócios eficiente, garantindo a análise da viabilidade do empreendimento, o estudo do mercado e o acesso à capacitação.  

Flávio Jamaica mostra com orgulho o empreendimento que transformou sua vida. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

“Mesmo aos 56 anos, acredito firmemente que nunca é tarde para iniciar um negócio próprio e trilhar novos caminhos na vida. Tivemos algumas dificuldades, mas o Sebrae teve um papel decisivo nesse processo, oferecendo capacitação, consultoria e suporte estratégico. Sua atuação é indispensável para transformar ideias em negócios viáveis, reduzindo riscos e ampliando a competitividade no mercado com serviços acessíveis e de qualidade”, declarou.

Flávio Jamaica mostra com orgulho o empreendimento que transformou sua vida. (Foto: Paulo Caruá/O Quarto Poder)

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Fonte da Matéria

O Quarto Poder

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  1. O QUARTO PODER é finalista em duas categorias do 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo - O Quarto Poder

    07/09/2026 - 14:29

    […] em 7 de junho de 2026, a matéria “Conheça a história do ex-flanelinha que virou empreendedor em São Luís” acompanha a trajetória de Flávio Jamaica, de 56 anos, natural de Peri-Mirim e radicado na capital […]

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