Quando se fala em anel de noivado, a imagem mais comum ainda é a de uma joia em ouro com um diamante branco em destaque. Mas esse cenário vem mudando. Safiras, esmeraldas, turmalinas e outras gemas coloridas têm conquistado espaço entre casais que desejam fugir do tradicional e criar uma joia mais personalizada. A tendência ganhou força nos últimos anos e voltou aos holofotes recentemente com o anel de esmeralda usado pela tenista Aryna Sabalenka, e o anel de diamante amarelo dado pelo piloto de Fórmula 1 George Russell à noiva Carmen Montero.

Antes deles, o anel de safira azul de Kate Middleton já havia ajudado a popularizar a ideia de que um anel de noivado pode ir muito além do diamante tradicional. A joia, que pertenceu à princesa Diana e foi posteriormente dada por príncipe William a Kate como anel de noivado, tornou-se um dos modelos mais icônicos da realeza britânica e provocou uma forte procura por peças semelhantes, levando joalherias a reproduzirem o estilo da pedra azul em novos anéis.

Para a gemóloga e joalheira profissional Giselly Assis, fundadora da Make a Wish Jewel, essa mudança acompanha uma transformação no comportamento dos consumidores. “Durante muito tempo existiu a ideia de que o anel de noivado precisava seguir um padrão. Hoje, percebemos que muitas pessoas querem uma joia que represente sua história e seu estilo. As gemas coloridas ampliam essas possibilidades sem perder o simbolismo do pedido de casamento. Como gemóloga, também vejo um interesse muito maior em entender as características de cada pedra antes da escolha, e isso torna o processo ainda mais consciente”, afirma.

Segundo Giselly, a procura por gemas coloridas já faz parte da rotina do ateliê. Além das diferentes cores, muitos clientes demonstram interesse por lapidações menos convencionais, formatos exclusivos e combinações de metais e pedras que tornam cada joia única. A especialista também observa um crescimento do interesse por esmeraldas e pela turmalina-paraíba, uma das gemas brasileiras mais raras e valorizadas da alta joalheria.

Muito além da cor: cada gema conta uma história

Embora a escolha seja motivada, muitas vezes, pela estética, as pedras também carregam significados que influenciam a decisão dos casais. Safiras costumam ser associadas à fidelidade e à sabedoria; esmeraldas remetem ao renascimento e ao amor; rubis simbolizam paixão, enquanto outras gemas acabam representando lembranças pessoais, viagens, histórias familiares ou momentos marcantes da relação.

Além do aspecto simbólico, a escolha das gemas também acompanha movimentos do próprio mercado joalheiro. Segundo Giselly, algumas pedras passam por momentos de maior valorização e visibilidade, despertando o interesse tanto de profissionais quanto dos consumidores. As esmeraldas, por exemplo, registraram aumento na procura ao longo deste ano, enquanto a turmalina-paraíba segue entre as gemas mais cobiçadas da alta joalheria por sua raridade e pela oferta cada vez mais restrita.

“Cada gema possui características próprias de cor, brilho, dureza e origem. Hoje os clientes chegam muito mais curiosos para entender essas diferenças antes de escolher a joia. Tenho percebido um interesse crescente pelas esmeraldas e também pela turmalina-paraíba, que é uma pedra extremamente rara e cuja disponibilidade no mercado tem diminuído ao longo dos anos. Isso naturalmente desperta ainda mais atenção para esse tipo de gema”, explica.

Tendências transformam o mercado, mas personalidade continua sendo o principal critério

Para Giselly, exemplos de figuras públicas ajudam a despertar a curiosidade do público, mas a escolha da gema vai muito além da influência das celebridades. O anel de safira azul de 12 quilates rodeado por 14 diamantes usado por Kate Middleton transformou a pedra em uma referência mundial entre anéis de noivado. Mais recentemente, a repercussão em torno do anel de noivado de Aryna Sabalenka – um diamante oval de 12 quilates cravejado em platina, cercado por esmeraldas – voltou a colocar as gemas coloridas em evidência e reforçou uma tendência já percebida dentro da joalheria.

Ao mesmo tempo, a especialista explica que o próprio mercado passou a ressignificar materiais que antes recebiam pouca atenção. É o caso dos diamantes champanhe e dos diamantes negros, que durante muitos anos ocuparam nichos específicos e hoje aparecem com mais frequência em coleções contemporâneas e joias de design. A mudança demonstra como o universo da joalheria acompanha transformações de comportamento, moda e desejo do consumidor.

“Os casais continuam valorizando o significado do anel de noivado, mas hoje entendem que ele pode traduzir melhor quem são. O diamante tradicional continua sendo um clássico, porém deixou de ser a única possibilidade. O mercado também evoluiu e passou a enxergar valor em gemas e tonalidades que antes eram pouco exploradas. No fim das contas, o mais importante é que a joia faça sentido para a história de quem vai usá-la por toda a vida”, conclui Giselly.