A aveia ganhou espaço na alimentação dos brasileiros e nas prateleiras, presente em bebidas vegetais, cereais e diferentes preparações. Mas uma dúvida ainda acompanha o ingrediente: afinal, aveia tem glúten? A resposta é não. Naturalmente, o cereal não contém glúten. O principal ponto de atenção está no caminho percorrido entre o campo e o produto final.

Diferentemente do trigo, do centeio e da cevada, a aveia possui uma proteína chamada avenina. O risco de presença de glúten surge principalmente pela contaminação cruzada, que pode acontecer durante o cultivo, a colheita, o transporte, o armazenamento ou o processamento, quando há contato com cereais que contêm glúten.

Isso significa que duas aveias aparentemente iguais podem chegar ao consumidor em condições diferentes. Máquinas agrícolas compartilhadas, caminhões, silos e linhas industriais que também recebem trigo estão entre os pontos de atenção ao longo da cadeia. Para quem precisa excluir o glúten da alimentação, especialmente pessoas com doença celíaca, esse controle deixa de ser apenas uma questão de preferência.

“Quando falamos em aveia sem glúten, precisamos olhar além da matéria-prima. Esse cuidado começa na seleção dos fornecedores, passa pelo controle de todas as etapas de produção e chega até a análise dos produtos que colocamos no mercado. Realizamos testes para verificar a ausência de glúten e contamos com a certificação Gluten Free, que reforça nosso compromisso com a segurança alimentar. Queremos que o consumidor tenha confiança de que existe um processo rigoroso por trás de cada produto”, explica Felipe Carvalho, Co-CEO da Positive Company. 

O que diz a legislação

Internacionalmente, a principal referência para alimentos classificados como sem glúten é de até 20 miligramas por quilo, ou 20 ppm. O parâmetro é estabelecido pelo Codex Alimentarius e também adotado pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

No Brasil, a legislação segue uma lógica diferente. A Lei nº 10.674/2003 determina que alimentos industrializados tragam obrigatoriamente no rótulo as expressões “contém glúten” ou “não contém glúten”, em caracteres de fácil leitura. A norma, porém, não estabelece um limite numérico máximo para que um alimento utilize a declaração “não contém glúten”.

Nesse cenário, informações sobre matéria-prima, processos de controle e certificações ajudam o consumidor a entender melhor o produto que está levando para casa. A lista de ingredientes é um dos primeiros pontos a observar, seguida pela declaração obrigatória sobre glúten e pelos alertas de alergênicos presentes na embalagem. Selos e certificações especializadas também podem indicar a existência de protocolos específicos de controle.

E as bebidas de aveia?

A mesma lógica vale para as bebidas vegetais. O fato de uma bebida ter aveia como ingrediente não determina, sozinho, a presença ou ausência de glúten. É preciso considerar a origem da farinha utilizada e os controles adotados durante a fabricação.

Nas bebidas de aveia de A Tal da Castanha, a marca utiliza farinha de aveia sem glúten nos produtos indicados dessa forma na lista de ingredientes. Os itens que atendem aos critérios de ausência de glúten também carregam o selo Gluten Free na embalagem, associado aos protocolos de controle realizados durante o processo produtivo.

Para o consumidor, a recomendação é conferir sempre o rótulo do produto específico, mesmo entre itens de uma mesma marca ou linha, já que as formulações podem variar. Pessoas com doença celíaca, sensibilidade ao glúten não celíaca ou alergia ao trigo também devem seguir a orientação individual de médico ou nutricionista antes de incluir a aveia na dieta.