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Cicatrizes do tempo

Ao ver as imagens acrescidas de mosaicos e outros elementos colados nas fotos é impossível não imaginar o que ocorreu nesses espaços.

Muito se fala que a sociedade contemporânea vive um caos e que está fragmentada, mas, entre as inúmeras tentativas de retratar essa percepção visualmente, poucas atingem a densidade que o tema exige. As 22 obras reunidas pelo artista plástico Daniel Senise, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, são uma honrosa exceção.

Expostas, até 13/10/2019, sob o título “Todos os Santos”, trazem, em forma de imagem, um sentimento e um sofrimento perceptível em todos nós. A maioria dos trabalhos parte de fotografias dos competentes Mauro Restiffe, Caetano Dias, Tiago Barros e Fernando Laslo. A partir delas, são feitas intervenções.

Cenários destruídos, como o galpão da Estrada de Ferro Sorocabana e o Hospital Matarazzo, em São Paulo, SP, e locações na Bahia e em Nova York, EUA, apontam para o desgaste de locais abandonados pelas mais diversas razões. Ao ver as imagens acrescidas de mosaicos e outros elementos colados nas fotos é impossível não imaginar o que ocorreu nesses espaços.

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Produzidos entre 2005 a 2019, os trabalhos são um documento pungente de uma sociedade marcada pelas cicatrizes do tempo.  O conjunto traz um painel de estilhaços que parecem ser oriundos de um conflito bélico, mas, no presente caso, a violência se dá pelo efeito da passagem dos dias em ambientes que, pelo desuso e descaso, caem em total degradação.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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