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Enfrentando adversidades

O esporte a e a religião têm em comum muitos elementos. Os principais são a motivação de superar limites e dificuldades em busca de algum ideal, seja um recorde ou a possibilidade de divulgar a própria fé, mesmo quando se está em um ambiente hostil, marcado pelo preconceito ou pelo desrespeito à diversidade.

O filme “The Fighting Preacher” tem como protagonista um personagem que tem um pé em cada universo. Por um lado, foi campeão mundial de boxe dos meio-pesados, aprendendo a dar reviravoltas quando tudo parecia estar perdido. Por outro, devoto da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias levou sua fé para uma comunidade que rejeitava a crença.

É preciso lembrar que o casamento plural praticados pelos mórmons era um dos aspectos rejeitados com veemência pela sociedade dos EUA. Por isso, quando, no começo do século XX, o casal Willard e Rebecca Bean recebe a missão de ir para Palmyra, Nova York, administrar a fazenda em que o primeiro líder do movimento religioso, Joseph Smith Jr., teria recebido mensagens divinas, a recepção está longe de ser amistosa.

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O ex-pugilista precisa utilizar sua resiliência para saber enfrentar uma comunidade resistente à diferença. Vale-se, em alguns momentos da força, mas vai percebendo que as melhores alternativas são a delicadeza e o amor. Assim, consegue 80 anos após a expulsão de Smith do local, não só restaurar como ampliar a sua crença, que inclui, por exemplo, o batismo por imersão.

Independentemente das convicções religiosas de cada um, o filme alerta, por exemplo, para a ignorância que é não aceitar, por exemplo, que uma criança na escola pense diferente das outras. Atitudes de isolamento por parte dos colegas e, principalmente, pelos professores, contribuem apenas para acirrar rivalidades.

Para quem é marginalizado, restam dois caminhos: a radicalidade da revolta ou a reação pelo amor ao próximo. Tomara que o segundo caminho sempre prevaleça. Embora não tenhamos condições de avaliar até que ponto boa parte dos fatos descritos no filme aconteceram da forma narrada, pelo menos temos a convicção de que lutar com o coração puro sempre é a melhor forma de enfrentar dificuldades.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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