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Para que se manter vivo?

Para permanecer vivo, é necessário ter um objetivo. É disso que trata o filme russo “Uma mulher alta”, candidato russo ao Prêmio Oscar de melhor Filme Estrangeiro 2020. Dirigido por Kantemir Balagov e ambientada em Leningrado logo após a Segunda Guerra, a obra tem como eixo duas mulheres cujas histórias se cruzam das mais varadas formas.

Ambas participaram do conflito, cada uma guardando as suas sequelas. A mulher alta (Iya, cujo nome significa violeta) sofre de uma estranha paralisia, que surge em qualquer momento e a leva a asfixiar uma criança da qual cuidava. É a mãe desse menino, Masha (a excelente atriz Vasilisa Perelygina) que, ao retornar, cria o conflito dramático: a busca da maternidade.

Masha não pode mais ter filhos e, por isso, estimula de todas as formas a amiga Ilya a engravidar, comprometendo-se a cuidar do bebê. Em meio a uma cidade e a uma sociedade devastadas, marcada pela falta de sentido da existência, como bem mostram os feridos de combate no hospital, ter um filho é uma clara forma de marcar uma posição de sobrevivência.

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A cena final entre as protagonistas, repleta de ternura, evidencia, após divergências, ciúmes e momentos de confusas expressões de sensualidade e sexualidade, que gerar e cuidar de uma vida pode ser a única motivação de pessoas que dizem estar “vazias por dentro”, tanto no sentido de não terem filhos como no de não possuírem razões para permanecer vivas.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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