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Brasil

Bienal do Livro teve mais de 600 mil visitantes e 4 milhões de livros vendidos

Público foi menor que na última edição, mas mais livros foram vendidos. Evento literário marcado pelo apoio à liberdade de expressão teve manifesto contra a censura, beijaço e disputa judicial para impedir a apreensão de livros.

Bienal chega ao fim com 4 milhões de livros vendidos e apoio à liberdade de expressão.

A 19ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro chegou ao fim neste último domingo (8) com público de mais de 600 mil pessoas. Ao todo, foram vendidos no Riocentro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, durante os dez dias de feira literária, mais de 4 milhões de livros.

Na edição anterior do evento, em 2017, com 11 dias de feira, foram 3,6 milhões de livros vendidos e público de 680 mil pessoas, segundo informações da Agência Brasil.

Além de uma média de vendas maior que na última edição da bienal, o evento deste ano ficou marcado com o debate sobre a censura de publicações. Isto porque, na última quinta-feira (5), o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, determinou o recolhimento de exemplares do romance gráfico “Vingadores, a cruzada das crianças” (Salvat), que tem a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos.

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O autor Laurentino Gomes classificou esta como a melhor Bienal dos últimos anos e falou sobre a ação da prefeitura.

“Fomos confrontados com uma atitude obscurantista, de censura, de repressão à criação literária. Esta Bienal é um símbolo do que o Brasil de hoje está enfrentando”, avaliou Gomes.

No dia seguinte a determinação de Crivella, antes dos fiscais da prefeitura chegarem ao Riocentro, todos os exemplares da revista se esgotaram em pouco mais de meia hora.

Na tarde da sexta-feira (6), os agentes públicos buscaram outras publicações que, segundo o prefeito, seriam “impróprias” para crianças e adolescentes. No fim do dia, a Seop divulgou nota informando que “não encontrou material em desacordo às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente”.

Debate na Justiça

A organização da Bienal do Livro recorreu à Justiça para garantir o “pleno funcionamento do evento”. Ainda na sexta, um desembargador concedeu uma liminar em favor da feira.

Em uma nova decisão, o TJ-RJ voltou a permitir o recolhimento de livros com temática LGBT para o público jovem e infantil que não estivessem lacrados.

Fiscais retornaram aos pavilhões e anunciaram uma varredura à paisana. Funcionários da Seop disseram não ter encontrado nada de irregular na feira.

Decano do STF, o ministro Celso de Mello classificou a censura a livros da Bienal do Rio como “fato gravíssimo”.

Na manhã de domingo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Bienal funcione sem o risco de “censura genérica” de Crivella.

O presidente do STF, Dias Toffoli suspendeu a decisão judicial que permitia apreensão de livros na Bienal. Em outra decisão, Gilmar Mendes ratificou a liberdade de discurso.

Mais tarde, a prefeitura anunciou um recurso ao Supremo.

Público faz beijaço na Bienal do Rio

Protestos e manifestações

Os debates sobre a ordem do prefeito Marcelo Crivella, a possibilidade de uma censura prévia e o preconceito contra publicações com a temática LGBT só aumentaram nos últimos dias do evento.

No sábado, o youtuber Felipe Neto organizou uma ação para distribuir mais de 14 mil livros com a temática LGBT que estavam à venda na Bienal.

À noite, o público presente na feira fez um ‘beijaço’ contra a ordem de Crivella para apreender livros.

Para fechar o último dia da Bienal, autores e editores que tinham livros expostos no evento do Rio fizeram um manifesto contra a censura.

Os autores também anunciaram um manifesto com partes da canção “Apesar de Você”, de Chico Buarque, um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil.

Laurentino Gomes comemorou a decisão de Toffoli de suspender a decisão de recolher livros:

“Eu fiquei muito animado. Significa que ainda existe alguma serenidade, alguma racionalidade no Brasil”, disse ele.

“Foi uma decisão acertada, claro. A arte e a leitura não devem ser censuradas de forma alguma”, disse uma das 600 mil pessoas que visitaram o Riocentro durante a Bienal do Livro.

Fonte:G1.com

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