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Brasil

CPI: Tolentino nega participação em negociações da Covaxin

Senadores apontam que Marcos Tolentino é sócio oculto de empresa que garantiu contrato da Precisa Medicamentos; ele nega

 

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o advogado e empresário Marcos Tolentino, presidente da rede de televisão Rede Brasil, negou ter atuado nas negociações da vacina contra covid-19 Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. A Precisa Medicamentos firmou um contrato de venda de 20 milhões de doses da vacina ao governo federal e a empresa FIB Bank deu uma garantia ao contrato de R$ 80,7 milhões.

O advogado afirmou que ainda traz sequelas da covid-19. “Estava totalmente fora de quaisquer atividades profissionais, sociais, o que impossibilitaria qualquer participação ou interferência no ato ou acontecimento correspondente à compra ou negociação da vacina Covaxin”, justificou.

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Os senadores apontam que Tolentino é sócio oculto da FIB Bank, o que ele nega. Ele é amigo do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) e foi à CPI no dia do depoimento de Barros, no mês passado. “Se trata de um conhecido há muitos anos, desde que eu morei em Curitiba e que residi na cidade lá, sendo que, até hoje, mantenho com ele vínculo de respeito e amizade”, afirmou Tolentino à comissão.

Como já revelado na CPI, a relação do advogado envolve empresárias sócias da FIB Bank. À comissão, o presidente da empresa, Roberto Pereira Ramos Júnior, disse que Tolentino é procurador de uma das empresas que compõem o capital social da FIB Bank, a Pico do Juazeiro.

O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que, em 2011, ele recebeu uma procuração que dá “poderes amplos e especiais a Tolentino, em caráter irrevogável e irretratável” para representar o sócio Benetti “na qualidade de cotista da empresa Pico do Juazeiro”. A procuração foi apresentada por Calheiros durante a oitiva.

“Não existe, no direito brasileiro, uma procuração com poderes irreversíveis para vender e comprar e sem dar prestação de contas. Há cartórios no Brasil que não aceitam esse tipo de procuração, porque isso caracteriza e crava, de acordo com a jurisprudência, que a pessoa passa a ser proprietária. Então, a partir do momento em que Pico do Juazeiro entregou para ele uma procuração com poderes absolutos, irreversíveis, sem precisar prestação de contas, ele está dizendo o seguinte: ‘Toma, que o filho é seu'”, afirmou a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Além disso, o endereço da empresa MB Guassu, outra sócia da FIB Bank, é o mesmo endereço de Tolentino em São Paulo. Quando questionado sobre as empresas que se relacionam com a FIB Bank, ou quem é o dono da empresa, o advogado recorreu ao direito de permanecer em silêncio para não se autoincriminar.

 

 

Fonte: R7.com

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