×

Publicidade

Brasil

Queiroga evita respaldar supernotificação alegada por Bolsonaro

Ministro destacou que confirmar a possível supernotificação de mortes por covid só seria possível "mais tardiamente"

 

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitou nesta terça-feira (8) respaldar as falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a possível supernotificação de óbitos no Brasil em decorrência da covid-19. Perguntado sobre o relatório citado pelo presidente durante seu depoimento à CPI da Covid, o ministro disse que “o Ministério da Saúde está atento a esses aspectos”.

Ontem (7) o presidente Jair Bolsonaro disse que o TCU (Tribunal de Contas da União) teria emitido relatório apontando que cerca de metade das mortes por covid-19 em 2020 não teriam sido causadas pela doença. Apesar de reconhecer que havia errado ao atribuir a informação à corte, Bolsonaro nesta manhã (8) insistiu que há uma “supernotificação” dos casos de covid-19 no Brasil e relatou ter orientado à CGU (Controladoria-Geral da União) que investigue se governadores inflaram dados a fim de receber mais recursos do governo federal.

Continua após a Publicidade

Para Queiroga, “a observação é procedente”. “Esses recursos são alocados em função dos óbitos e pode haver sim uma supernotificação”, disse. Entretanto, o ministro destacou: “essa resposta em relação a óbitos só acontece mais tardiamente”. “Um dado mais definitivo só teremos posteriormente para que se tenha o fato com evidência consistente sobre as informações de mortes no Brasil.”

O ministro também ressaltou que o Brasil registrou em 2020 um aumento do número de óbitos, cuja principal causa é o crescimento da notificação de mortes por covid-19. O ministro também reforçou que nas capitais mais atingidas pela doença, como Manaus (AM), Belém (PA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), houve também aumento de mortes por doenças cardiovasculares, apesar da redução de notificações de infarto e AVCs (acidentes vasculares cerebrais).

Críticas ao presidente

Ele ainda negou que tenha pautado suas ações a fim de garantir a permanência no cargo. “Eu vou trabalhar para ajudar o povo brasileiro a superar essa dificuldade sanitária”, respondeu Queiroga ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

A intervenção de Vieira acontece após comentário do senador Marcos do Val (Pode-ES), que disse: “Não tem como cobrar do ministro que ele se sente aqui e critique o presidente da República. Ele pode ser exonerado”. “E se ele for exonerado, vamos ficar de novo pelo amor de Deus, estamos sem ministro?”, completou Do Val.

Segundo Queiroga: “Enquanto o presidente da República mantiver a confiança que tem em mim, estarei à disposição do governo e da sociedade brasileira”.

 

 

Fonte: por Agência Estado

Ver comentários
Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.