A Justiça do Maranhão determinou o cancelamento imediato do show do cantor Zé Vaqueiro e das demais atrações previstas para a comemoração do aniversário de 31 anos do município de Turilândia. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Maranhão (MPMA) e foi assinada no dia 25 de dezembro pelo juiz José Ribamar Dias Júnior.

A ordem judicial suspende as apresentações marcadas para os dias 27 e 29 de dezembro. Além de Zé Vaqueiro, estavam contratados a cantora gospel Isadora Pompeo, a Aparelhagem Carabão e a dupla Silvânia Aquino e Berg Rabelo, ex-integrantes da banda Calcinha Preta. A prefeitura também foi proibida de realizar qualquer pagamento ou transferência de recursos aos artistas e às empresas envolvidas.

Segundo o MP, apenas o cachê de Zé Vaqueiro custaria cerca de R$ 600 mil. Com gastos adicionais de estrutura, som, palco, iluminação e logística, o valor total do evento poderia ultrapassar R$ 1 milhão. Para o Ministério Público, a despesa é incompatível com a situação financeira do município e com demandas consideradas prioritárias da população.

Investigação por desvio de recursos

A decisão judicial ocorre em meio a investigações que apuram um suposto esquema milionário de corrupção em Turilândia. O prefeito Paulo Curió, a vice-prefeita, vereadores, um ex-parlamentar e a primeira-dama do município são investigados por integrar uma organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos, de acordo com o MPMA.

As apurações indicam fraudes em licitações e contratos, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, onde o prejuízo estimado chega a R$ 43 milhões. O Ministério Público aponta que empresas de fachada ou ligadas ao grupo eram contratadas para prestar serviços que não eram executados. Após o pagamento pela prefeitura, grande parte dos valores retornava aos investigados, com comissões que variavam entre 10% e 15%.

Um dos casos citados envolve um posto de combustível ligado à ex-vice-prefeita Janaína Lima e ao marido dela, que teria recebido mais de R$ 17 milhões em três anos por abastecimentos que não ocorreram. A atual vice-prefeita, Tânia Mendes, e o marido também são investigados por suposto recebimento de valores provenientes de empresas contratadas pelo município.

Operação Tântalo II

Nesta semana, a Operação Tântalo II cumpriu 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão em cidades do Maranhão, incluindo São Luís, Paço do Lumiar, Pinheiro, Barreirinhas e Santa Helena. A ação é um desdobramento de uma operação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em fevereiro deste ano.

Segundo o MPMA, há indícios da prática de crimes como organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, com irregularidades ocorridas entre 2021 e 2025.