A morte de alguém querido muda tudo. Agora, imagine atravessar o luto sob os holofotes. Foi assim com a ex-modelo Valéria Zopello, que em 2 de março de 1996 perdeu o então namorado, Dinho (1971-1996), vocalista da banda Mamonas Assassinas.

O cantor e os companheiros Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli morreram após a aeronave em que estavam colidir com a Serra da Cantareira, em São Paulo. Também estavam a bordo o piloto Jorge Luiz Germano Martins, o copiloto Alberto Takeda, o assistente de palco Isaac Souto e o segurança Sérgio Porto. A tragédia interrompeu, de forma brutal, a trajetória meteórica do grupo que marcou os anos 1990.

Para celebrar o legado da banda, a TV Globo lançou o documentário Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú, exibido na Tela Quente, após o BBB, reacendendo a memória dos fãs e trazendo à tona lembranças daquele período.

“Não vivo no local do acidente”

Em janeiro de 2024, Valéria usou as redes sociais para compartilhar um longo desabafo. “Não moro no ‘local do acidente’. Nasci na Serra da Cantareira, e aqui é meu lugar”, escreveu, reforçando o vínculo com a região.

No texto, ela afirmou que teve uma “história de vida intensa, bem-vivida”, mas destacou que isso não a coloca em um “luto eterno”, nem a torna alguém “especial”. Segundo a ex-modelo, a decisão de falar publicamente sobre sua trajetória foi uma forma de retribuir o carinho que ainda recebe dos fãs dos Mamonas.

“Sempre foi verdadeiro”

Valéria relembrou o relacionamento com Dinho e falou sobre o impacto da fama. “Sim, namorei um dos homens mais lindos, talentosos, desejados e engraçados do Brasil. Nosso amor sempre foi verdadeiro e fortíssimo, e o levarei comigo eternamente, como o amor deve ser”, escreveu.

Ela também refletiu sobre o período em que esteve sob intensa exposição: “Fui extremamente famosa, mas a fama é efêmera, tem ônus e bônus”. Hoje, afirma sentir alívio por manter a vida pessoal longe dos holofotes.

Vida após o luto

Depois da tragédia, Valéria construiu uma nova trajetória. Viveu na Europa e trabalhou como fotógrafa de automobilismo — paixão antiga que exerceu profissionalmente por cerca de 20 anos. A carreira a levou a mais de 30 países, incluindo viagens em missões humanitárias.

Atualmente, aos 52 anos, é proprietária de um orquidário e também comanda uma agência de elenco.

Na mesma publicação, ela rebateu comentários de que nunca mais teria encontrado o amor. “É uma bobagem. Conheci homens maravilhosos ao longo da minha jornada”, afirmou. Sobre não ter filhos, explicou que a decisão foi, em parte, escolha pessoal e, em parte, consequência da própria dinâmica de suas profissões.

“O luto deve ter prazo”

Bem-resolvida, Valéria garante que não se arrepende das escolhas que fez, inclusive a de se manter longe da mídia. “Sigo a bússola do meu coração e consciência para tomar as decisões que cabem melhor na minha vida”, declarou, destacando os ensinamentos dos pais como base de seu caráter.

Ao final, deixou uma reflexão: “Se sou feliz? Claro! Se ainda me lembro do Dinho? Óbvio! Se sigo guardando o luto? Com certeza, não! O luto deve ter prazo de validade para conseguirmos seguir em frente, que é o que as pessoas que nos amam e partem nos desejam”.

E completou com um recado aos seguidores: “Amem, sejam verdadeiros, não desistam dos seus sonhos e não se sintam na obrigação social de serem o que não desejam”.