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Coluna da Célia Lima

Escritoras maranhenses discutem machismo na literatura em evento internacional

Apesar das inegáveis conquistas das mulheres que nosso tempo testemunha, o campo literário continua sendo um espaço de intenso predomínio masculino: são os escritores homens que ganham prêmios, que assumem posições de destaque nos grandes eventos e cujos nomes frequentam a lista das melhores obras de todos os tempos.

Foi discutindo esse tema na Feira Literária de Paraty de 2017, que grandes escritoras brasileiras, como Maria Valéria Rezende e Conceição Evaristo, tiveram a ideia de reunir suas companheiras de ofício para mostrar a força da produção feminina. Foi assim que, em 2017 surgiu o coletivo literário Mulherio das Letras, reunindo mais de sete mil mulheres ligadas a cadeia criativa e produtiva do livro, como escritoras, livreiras, editoras, críticas, ilustradores, etc.
Sempre questionando o lugar da mulher na literatura, o coletivo cresceu, ultrapassou as fronteiras brasileiras e fincou raízes na Itália, nos Estados Unidos e em Portugal, país que promove, entre os dias 25 e 28 de setembro, o II Encontro Mulherio das Letras Portugal.

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Convidadas pelo Mulherio português para conduzir um painel de debates, as escritoras maranhenses Lindevania Martins, Anna Liz e Heloísa Sousa estarão discutindo no dia 25 de setembro, as 09 horas no Brasil e às 13 horas em Portugal, formas de resistência e enfrentamento ao machismo na literatura contemporânea.

A escritora Lindevania Martins, que além de poeta e prosadora é defensora pública atuando na defesa da mulheres e população LGBT, afirma: “A violência contra a mulher também ocorre no campo cultural quando ela tem seu trabalho criativo ignorado, menosprezado ou apagado em razão do seu gênero. O caso de Maria Firmina dos Reis ilustra bem esse apagamento.

Ela permaneceu durante décadas no esquecimento, apesar de ser a primeira romancista do Brasil, e somente em nossa época, questionadora do lugar das mulheres na sociedade e na cultura, que Maria Firmina teve o devido reconhecimento pelo pioneirismo e pela qualidade de sua obra. Essa violência desencoraja as mulheres artistas a criar, empobrecendo o mundo de todos, e precisa ser superada”.

Heloísa Sousa, autora do romance “Laura”, lembra de uma outra escritora brasileira notável também relegada ao ostracismo: “Nísia Floresta atuou como jornalista, tradutora, escritora e poeta. Injustamente esquecida, foi uma das primeiras a introduzir o feminismo no Brasil e a mostrar que a opressão de mulheres não deveria encontrar um campo tão fértil, pois não há um gênero superior ao outro”.

Anna Liz, autora de vários livros e presidente da Associação de Escritoras e Jornalistas Brasileiras, seção Maranhão, é contundente: “Mulher não é objeto, nem enfeite. Também quer falar sobre literatura, política e artes visuais. Quer ser elogiada por sua competência e capacidade, não pelas suas pernas. Está na literatura porque a literatura é lugar de mulher. Ao mundo, resta preparar-se. Porque a força feminina é grande”.

Adriana Mayrinck, coordenadora do Mulherio das Letras Portugal, explica que o evento, que teria lugar na cidade de Lisboa, em razão da pandemia de coronavírus, ocorrerá através da plataforma virtual do Facebook e contará com a participação de vários coletivos lusófonos, contribuindo também para o fortalecimento da literatura em língua portuguesa.

 

 

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