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Coluna da Célia Lima

Participação de homens do MA nas tarefas domésticas é a segunda mais baixa do país

Dentre os homens, a taxa foi de 63,6% para brancos, 67,8% para pretos e 66,3% para pardos.

Em 2019, no Maranhão, 4,22 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade tinham realizado atividades de afazeres domésticos no próprio domicílio ou em domicílio de parente, o que correspondeu a uma taxa de realização de 78,5%. Dentre todas as UFs, a taxa de realização de afazeres domésticos no Maranhão é a penúltima, ficando à frente apenas do estado do Rio Grande do Norte, 75,9%. As maiores taxas de realização foram detectadas no Amapá (91,1%) e no Rio Grande do Sul (90,5%). Para Brasil, essa taxa era de 85,7%.

O Maranhão registrou diferença de taxa de realização entre homens e mulheres de 23,7 pontos percentuais (p.p.). Enquanto 89,9% das mulheres realizaram alguma atividade de afazer doméstico, essa proporção era de 66,2% entre os homens em 2019, a segunda mais baixa do país, superior apenas à do Rio Grande do Norte (62,2%).

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Observando a taxa de realização de afazeres domésticos por sexo e idade, no estado, nota-se maior diferença na faixa etária de 14 a 24 anos de idade, em que a taxa de realização das mulheres é 26,4 p.p. maior que a dos homens.

Já a taxa de realização de afazeres domésticos por sexo e cor/raça foi de 87% para mulheres brancas, 90,2% para mulheres pretas e 90,6% para mulheres pardas. Dentre os homens, a taxa foi de 63,6% para brancos, 67,8% para pretos e 66,3% para pardos.

Quanto à taxa de realização de afazeres domésticos por sexo e nível de instrução, observa-se, no Maranhão, que, à medida em que se eleva a escolaridade dos homens, maior é a participação deles nas tarefas domésticas.

Enquanto a diferença entre homens e mulheres no grupo “sem instrução e fundamental incompleto” é de 26,1 p.p., no grupo de pessoas com “superior completo” a diferença cai para 10,4 p.p.

Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD C) – Outras Formas de Trabalho, referente a 2019, divulgada hoje (04) pelo IBGE. A pesquisa abrange quatro tipos de trabalho: Afazeres Domésticos, Cuidado de Pessoas, Produção para o Próprio Consumo e Trabalho Voluntário.

 Cuidado de Pessoas

Em 2019, a taxa de realização de cuidados de pessoas (moradores ou parentes não moradores), no Maranhão, era de 33,4%. Essa proporção era maior que a taxa para Brasil (31,6%) e para Nordeste (31,4%).

No Maranhão, ao longo dos últimos três anos, a diferença entre homens e mulheres na taxa de realização de cuidados de pessoas vem diminuindo: 17,2 p.p. em 2017; 15,5 p.p. em 2018; 15,1 p.p. em 2019.

A taxa de realização de cuidados, no estado, era maior para as pessoas de 25 a 49 anos (43,1%), faixa etária em que é mais provável a presença de filhos. A taxa é maior também entre pessoas de cor preta (33,8%) e parda (33,5%) que entre brancos (31,9%).

Em 2019, cerca de metade das pessoas que informaram cuidar de algum morador, no Maranhão, o fizeram para crianças de 0 a 5 anos e para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos.

Pessoas que realizaram cuidado de moradores do domicílio, segundo o grupo de idade da pessoa que recebeu o cuidado: Maranhão: 2016 – 2019 (%)

Observa-se que, entre 2017 e 2019, houve aumento constante do percentual de moradores de 60 anos ou mais de idade que receberam cuidado de algum morador.

Cuidados e Afazeres Domésticos

No Maranhão, a taxa de realização de afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas era, em 2019, maior entre as pessoas de 14 anos ou mais ocupadas (83,1%) que entre as pessoas não ocupadas (79,3%). A taxa de realização das pessoas ocupadas no estado (83,1%) era menor que a do Brasil (89,6%) e a do Nordeste (85,4%).

Quanto à média de horas semanais dedicadas aos afazeres domésticos e/ou ao cuidado de pessoas, no Maranhão, homens ocupados gastavam, em média, 10,3h, enquanto as mulheres ocupadas gastavam 18,7h. Já, os homens não ocupados gastavam 11,3h e as mulheres não ocupadas 21,7h.

Produção para o próprio consumo

Em 2019, no Maranhão, 800 mil pessoas produziam para o consumo próprio. A taxa de realização de produção para o próprio consumo do estado (14,9%) era a segunda maior dentre as UFs, atrás apenas do Piauí (22,3%). Por produção para o próprio consumo, entende-se a) cultivo agro, pesca, caça, cultivo de animais; b) produção de carvão, corte ou coleta de lenha, coleta de água, extração de sementes etc.; c) fabricação de roupa, crochê, bordado, cerâmica, rede de pesca etc.; e d) construção de casa, muro, cômodo etc..

O trabalho para o próprio consumo tende a ser realizado mais pelos homens que pelas mulheres. No Maranhão, em 2019, havia 435 mil homens (taxa de realização de 16,8%) e 365 mil mulheres (taxa de realização de 13,1%) realizando produção para consumo próprio. A diferença entre homens e mulheres foi, portanto, na ordem de 3,7 p.p., naquele ano, enquanto, no Brasil, a diferença foi de apenas 1 p.p..

De um modo geral, em quase todos os estados das regiões Norte e Nordeste, os homens são a maioria em relação às mulheres no que tange ao trabalho para o próprio consumo.

A realização de produção para o próprio consumo cresce com a idade. No Maranhão, essa taxa era de 19,6% entre pessoas de 50 anos ou mais. Para Brasil, essa mesma taxa na referida faixa etária era de apenas 10,6%.

Taxa de realização de produção para o próprio consumo por grupo de idade: Maranhão-2019.

 Trabalho Voluntário

No ano passado, 130 mil pessoas desenvolviam algum tipo de trabalho voluntário, no Maranhão. A taxa de realização de trabalho voluntário no estado era de 2,4%. No ranking das UFs, o Maranhão ocupava a 22ª posição. A maior taxa foi detectada no Paraná, 5,2%, e a menor no Tocantins (1,5%).

As mulheres eram mais presentes no trabalho voluntário que os homens, no Maranhão. Em 2019, 84 mil mulheres e 46 mil homens desenvolviam atividades voluntárias. Praticamente, para cada três pessoas que realizavam trabalho voluntário no estado, duas eram mulheres.

No Maranhão, o grupo etário de 25 a 49 anos apresentou a maior taxa de realização de trabalho voluntário, 3,2% (14 a 24 anos: 1,7%; 50 ou mais: 1,9%).

Quanto à situação da ocupação, no estado, a maior taxa de realização de trabalho voluntário se deu entre a população ocupada, 3,1%. Entre as pessoas não ocupadas, a taxa foi de 1,9%.

A média de horas efetivamente trabalhadas por semana em atividades voluntárias, no Maranhão, cresceu no último ano: em 2018, a média era de 6,9h; em 2019, subiu para 7,8h. A média nacional foi de 6,6 em 2019.

Taxa Geral de Realização

Em 2019, considerando todas as formas de trabalho investigadas pela pesquisa, a taxa geral de realização foi, para Brasil, 87,8%, com um “exército” na ordem de 150.260.000 trabalhadores; para Nordeste, 83,6%, com um contingente de 38.129.000 trabalhadores; e, para Maranhão, 82,8%, com um volume de 4.455.000 trabalhadores.

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