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Coluna da Mandela

‘Cézanne e Eu’ expõe a rivalidade entre dois grandes gênios da arte

Filme, que é dirigido por Danièle Thompson, mostra relação entre ícone da pintura moderna e o escritor Émile Zola, na França do século 19

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Vida de pintor é dura, especialmente franceses. Havia, no Festival Varilux do ano passado, Gauguin – Viagem ao Taiti, de Edouard Deluc. O amigo de Van Gogh, interpretado por Vincent Cassel, partia para os Mares do Sul. Conhecia uma sociedade matriarcal fascinante, uma musa inspiradora, mas a vida era difícil, o sustento (quase impossível). A glória só vinha postumamente. Este ano, houve, no Varilux, outro filme de pintor. Cézanne e Eu, de Danièle Thompson. O ‘eu’, no caso, é o escritor Émile Zola e o filme narra a longa amizade de ambos, que começou ainda garotos.

Cézanne, de uma família abastada. Zola, o menino pobre, o imigrante italiano. Zola crescia para a glória, tornando-se um romancista de sucesso. Ganhava dinheiro, reconhecimento. Cézanne, enquanto isso, dava a impressão de não ir adiante. Integrando um grupo de artistas visuais, é, no início, como eles, recusado nos salões da Academia. Até esses colegas passam a ser aceitos, e Cézanne desespera-se. Numa cena, desabafa. Diz que gostaria de pintar como Zola escreve. O que Cézanne se propõe é uma tarefa difícil quase impossível. Como pintar a fluidez do ar, e as folhas das árvores mexem-se ao sabor do vento, resplandecendo o brilho fugidio de suas cores. Como pintar o calor do sol? A violência das rochas?

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Ele tenta, e tenta, e tenta. Rasga tela após tela. A frustração lhe produz amargura. Desconta no antigo amigo. Grita que Zola aburguesou-se, perdeu a força crítica. Afastam-se. Um dia, o escritor volta à cidade em que tudo começou, a amizade entre ambos, na Provence. Cézanne corre ao seu encontro, como quem sonha com um recomeço, mas apenas para ouvi-lo dar-lhe o troco. Como artista, Zola diz que é um fracasso. Nada como a posteridade. Cézanne, que dependia da família, e do amigo, para o seu sustento, tornou-se um dos artistas definidores da arte moderna. No fim do filme, há uma busca por seus quadros. Todos os que restaram estão hoje em museus. Valem ouro.

Fonte:R7.com

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