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Coluna da Mandela

Filmes de terror ganham destaque e vivem melhor momento no Brasil

Com uma produção cada vez mais forte e premiada internacionalmente, país resgata e consolida gênero inaugurado pelo 'Zé do Caixão'

Resultado de imagem para Cenas do filme 'Morto Não Fala', dirigido por Dennison Ramalho

Essas produções estão pavimentando um caminho para se fazer ainda mais cinema de terror no país.

Nunca se produziu tantos filme de terror no Brasil. O gênero vive seu auge, apenas em 2019, foram lançados O Clube dos CanibaisHistórias Estranhas, Morto Não FalaA Noite AmarelaIntrusoO Juízo e o próprio Bacurauque possui elementos do horror, e saiu vitorioso com o prêmio do Júri em Cannes. Essas produções estão pavimentando um caminho para se fazer ainda mais cinema de terror no país.

A primeira exibição cinematográfica no Brasil aconteceu ainda no século 19. Desde então o país passou por diversas escolas e movimentos, amadurecendo a cara do nosso cinema. O terror brasileiro propriamente dito, nasceu nos anos 60, com produções de José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão. Mas, antes disso, elementos do gênero estavam espalhados pela cinematografia nacional.

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De acordo com a pesquisadora Laura Cánepa, em sua tese intitulada Medo do quê? Uma história do horror nos filmes brasileiros, até mesmo a geração do cinema mudo revela flerte com o horror, possível de identificar pelos títulos dos filmes, como, por exemplo, O Duelo de Cozinheiros (1909), Nas Entranhas do Morro Castelo (1917) e por fim Os Mistérios do Rio de Janeiro (1917).

Um desses nomes é o diretor Dennison Ramalho, que já trabalhou com Mojica. Ele está em cartaz com o filme Morto Não Fala e comentou a influência que carrega do “pai do terror nacional” . “O cinema do Zé do Caixão foi importantíssimo na minha carreira, mudou o jogo pra mim. Foi o primeiro cinema de terror autoral do Brasil. Mojica é um cara que eu vejo como um mestre pra mim, e é uma grande inspiração pra todas gerações de realizadores brasileiros de terror”, disse Ramalho.

Morto não Fala foi destaque no cenário internacional, reconhecido como um filme potente e original, já foi exibido em cerca de 40 festivais pelo mundo. Ramalho carrega a bandeira do cinema de terror brasileiro nos últimos anos, ao lado de cineastas como Marco Dutra, Samuel Galli, Gabriela Amaral Almeida, Juliana Rojas, Paulo Fontenelle, Guto Parente, Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf, Ramon Porto, entre outros realizadores que estão movimentando a cena atual.

“A característica que eu enxergo na produção atual de terror do Brasil é de um horror extremamente autoral”, explicou o jornalista e pesquisador Carlos Primati. “O terror americano tende a ser mais comercial, voltado ao modelo clássico, que tem uma comunicação muito direta com o público. Essa expectativa e o resultado é muito baseado em ‘eu gostei’ ou ‘eu não gostei’, mas nunca tem uma novidade de fato”, finalizou Primati.

O tema do mal estar social é claro nos últimos filmes do gênero no Brasil, Trabalhar Cansa, de Marco Dutra, Animal Cordial, da diretora Gabriela Amaral, e o próprio Morto Não Fala, do Dennison Ramalho, contém uma crítica à sociedade e os males atuais que o país vem enfrentando, um certo desgaste emocional. “Quanto mais o medo se aproxima de um medo palpável, contemporâneo, mais ele consegue se comunicar”, explicou o diretor Marco Dutra.

 

 

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