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Coluna do Udes Filho

Pandemia: Vigilantes da Prosegur denunciam abuso na carga horária em São Luís

“Estamos trabalhando normalmente, passando muitas vezes do horário de trabalho, atendendo clientes [...] Precisamos da presença do Ministério Público do Trabalho para fiscalizar e acabar com os abusos que temos sofrido pela empresa", diz vigilante.

De acordo com vigilantes da Prosegur de São Luís, no Maranhão, desde que a pandemia do novo coronavírus passou a afetar o estado, os funcionários da multinacional espanhola que detém 50% do mercado de transporte de valores no Brasil, estão sendo afetados pelas constantes pressões da empresa.

Como já foi denunciando, em primeira mão, por O Quarto Poder, existe uma forte suspeita de que a Prosegur tenha tentado fraudar o Governo Federal do Brasil, se fazendo valer das Medidas Provisórias editadas pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, que teve na intenção de salvar empregos e empresas, durante a pandemia. Sobre o caso, o Ministério Público do Trabalho no Maranhão já informou que vai apurar a denúncia.

 

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EXPLORAÇÃO?

 

Os vigilantes maranhenses desconfiam que a gigante Prosegur não a necessidade, de fato, para fazer uso das medidas de proteção aos empregos editadas pelo Governo Federal, não só pelo porte da empresa, que além de atuar no Brasil, está presente em países como Argentina, Colômbia e Chile, tem um faturamento anual de cerca de 4 bilhões de euros e dispõe de 9 mil veículos blindados, 500 mil câmeras de monitoramento, 585 mil alarmes instalados e cerca de 100 mil caixas eletrônicos. Além disso, em São Luís, por exemplo, o trabalho da Prosegur segue a todo o vapor como, serviço essencial, dizem os funcionários.

“Estamos trabalhando normalmente, passando muitas vezes do horário de trabalho, atendendo clientes […] Precisamos da presença do Ministério Público do Trabalho para fiscalizar e acabar com os abusos que temos sofrido pela empresa […] Temos horas extras trabalhadas que não sabemos se vamos receber, só queremos que a Lei seja aplicada da forma correta”, desabafa um vigilante.

A Prosegur, segundo os denunciantes, retirou a escala 5×2 (de segunda à sexta-feira), retirou também a escala dos plantonistas (12×36) e botou todos os funcionários na escala de 6×1 (de segunda-feira à sábado, com uma folga no domingo). “Acredito que estejam fazendo isso para alegar redução de jornada de trabalho, sendo que a MP diz que a redução da carga horaria tem que ser de acordo com o percentual da redução do salário […] E isso não tá sendo cumprindo, muitas vezes estamos até ultrapassando essa carga horária […] E detalhe, acontece de você aparece lá, na escala de serviço, como folga compensada, sem nem ter pedido folga, nem pediu pra compensar folga, aparece lá, folga compensada”, desabafou um dos vigilantes.

 

MESMAS DENÚNCIAS EM MINAS GERAIS 

 

De acordo com o Sindicato dos Empregados nas Empresas de Transporte de Valores no Estado de Minas Gerais (SINTTRAV), “a direção da multinacional PROSEGUR utilizou da MP 927/936 de 2020 para aplicar o famoso 171 em cima dos trabalhadores e dos sindicatos no Brasil. Alegando dificuldade financeira, reduções de contratos e inadimplência por partes dos clientes, de forma teatral, a PROSEGUR tentou sensibilizar a todos para entubar a medida provisória em quase sua totalidade”.

O SINTTRAV  diz ainda que utilizando a redução de jornada e salário, suspensão de contrato e banco de horas. “Na realidade o que os trabalhadores estão sentindo é que foram lesados pela multinacional PROSEGUR. No acordo coletivo ficou definido que a jornada reduzida de 50%, são para todos trabalhadores, o que na prática não vem ocorrendo. A jornada continua normal. Está tudo como dantes no quartel abrantes”.

“Olha o golpe aí! Jornada reduzida nunca existiu na PROSEGUR em Minas Gerais. O que leva a crer, que a intenção da empresa é única e exclusivamente participar do programa emergencial do governo federal, que foi criado na intenção de socorrer as empresas que estão com dificuldades financeiras devido a pandemia do Coronavírus”, diz o Sindicato mineiro.

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