Maus hábitos podem desorganizar o metabolismo mesmo com alimentação equilibrada
Dormir mal, viver sob estresse constante, pular refeições ou comer com pressa são hábitos comuns na rotina moderna. O problema é que, mesmo quando a alimentação parece equilibrada, esses comportamentos podem desorganizar completamente o metabolismo.
Segundo a medicina integrativa, esses fatores desencadeiam processos silenciosos no organismo, como resistência à insulina e inflamação crônica. Esses desequilíbrios favorecem o acúmulo de gordura — principalmente na região abdominal — muitas vezes sem que exames tradicionais apontem qualquer alteração.
É comum que pacientes passem por diferentes especialistas e continuem convivendo com sintomas persistentes como dores no corpo, insônia, ansiedade, baixa energia e um cansaço constante que não melhora.
Nesses casos, muitas vezes o problema não é falta de tratamento, mas a ausência de uma avaliação mais profunda e integrada do organismo.
Um olhar mais amplo sobre a saúde
Essa é justamente a proposta da medicina integrativa: tratar a pessoa como um todo, e não apenas uma doença isolada.
Isso envolve investigar diversos aspectos da vida do paciente, como hábitos alimentares, qualidade do sono, saúde emocional, rotina de exercícios, relações pessoais, nível de estresse e até marcadores inflamatórios que costumam passar despercebidos em abordagens tradicionais.
Essa é a filosofia de trabalho do médico nutrólogo Adriano Faustino, referência nacional na área e especialista em Nutrição Funcional, Fisiologia Hormonal e Geriatria.
Segundo ele, o ganho de peso raramente está relacionado apenas ao que se come.
“Muitas pessoas se culpam achando que não têm disciplina, mas o problema não está na força de vontade. O corpo delas está preso em um ciclo de desequilíbrio. E é esse ciclo que precisa ser quebrado com estratégia, escuta e mudanças reais de estilo de vida”, afirma o médico.
Medicina integrativa: ciência aliada a diferentes práticas terapêuticas
A medicina integrativa surgiu nos Estados Unidos na década de 1970 e vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil por oferecer uma abordagem mais ampla da saúde.
O modelo combina a medicina convencional com práticas complementares, como alimentação funcional, fitoterapia, suplementação, atividade física, acupuntura e terapias voltadas ao equilíbrio emocional.
De acordo com o médico, muitos pacientes chegam ao consultório com sintomas claros, mas sem diagnóstico definido.
“Com frequência, o paciente sente dores ou mal-estar sem uma causa aparente. Quando a medicina tradicional não encontra explicação, muitas vezes o problema é classificado como ‘essencial’. A medicina integrativa faz o oposto: investiga profundamente para identificar a origem do desequilíbrio”, explica.
Consultas mais longas e personalizadas
Na medicina integrativa, o foco não está apenas no sintoma, mas na história completa do paciente. Por isso, as consultas costumam ser mais longas e detalhadas.
A primeira avaliação pode durar até duas horas e meia, período dedicado à escuta ativa, análise detalhada de exames e elaboração de um plano de tratamento personalizado.
“Não é possível conhecer de verdade um paciente em 15 minutos. Muitas vezes ele chega com dores crônicas, irritabilidade ou fadiga que não se encaixam em diagnósticos tradicionais. Só com tempo e investigação conseguimos entender o que está por trás desses sinais”, afirma o médico.
Inflamação silenciosa: o inimigo invisível do metabolismo
Um dos principais focos da medicina integrativa é identificar a chamada inflamação crônica subclínica — um processo inflamatório silencioso que não apresenta sintomas evidentes como dor ou febre, mas que pode comprometer o organismo ao longo do tempo.
Essa condição está associada ao desenvolvimento de doenças como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e doenças neurodegenerativas.
“Essa inflamação vai desgastando o organismo aos poucos e muitas vezes só é descoberta quando a doença já está instalada. Por isso, a prevenção precisa ser prioridade”, alerta Faustino.
Quatro fatores por trás do ganho de peso silencioso
Mesmo com exames aparentemente normais, muitas pessoas enfrentam dificuldade para emagrecer ou apresentam sintomas persistentes como cansaço, irritabilidade e insônia.
Segundo o médico, isso ocorre porque o organismo pode estar preso em um ciclo de desequilíbrio metabólico.
Entre os principais fatores estão:
Resistência à insulina
O corpo passa a armazenar glicose em forma de gordura, mesmo quando a ingestão de alimentos é moderada.
Desregulação hormonal
Alterações no cortisol, na melatonina ou nos hormônios da tireoide podem impactar diretamente o metabolismo.
Privação de sono
Dormir pouco pode aumentar significativamente o risco de obesidade, independentemente do consumo calórico.
Inflamação crônica
Esse processo silencioso dificulta a queima de gordura e contribui para o surgimento de diversas doenças metabólicas.
Segundo Faustino, esses fatores nem sempre aparecem em exames convencionais e acabam sendo tratados apenas com medicamentos ou dietas restritivas, que trazem resultados temporários.
Para ele, o caminho mais eficaz envolve reprogramar o metabolismo por meio de mudanças no sono, na alimentação, no controle do estresse e no estilo de vida.
Integração entre ciência e práticas tradicionais
A abordagem integrativa combina avaliações clínicas e laboratoriais com diferentes estratégias terapêuticas, como nutrição funcional, fitoterapia, acupuntura, modulação intestinal, técnicas de respiração e reeducação alimentar.
“Não sou alopata nem homeopata. Sou prático. O que funciona, eu utilizo. O importante é devolver saúde real ao paciente”, afirma o médico.
Cada vez mais reconhecida por centros médicos internacionais, a medicina integrativa vem ganhando espaço no Brasil, especialmente entre pacientes que já passaram por diversos tratamentos convencionais sem obter resultados duradouros.
Um dos princípios defendidos nessa abordagem é simples: consumir menos alimentos ultraprocessados e priorizar alimentos naturais — ou, como resume o especialista, “desembrulhar menos e descascar mais”.
