Projetar um lar para mais de uma pessoa nunca é apenas sobre revestimentos, cores ou composição de móveis. Muitas vezes, o que está em jogo é um imaginário afetivo construído ao longo da vida de referências acumuladas, preferências, memórias e certezas estéticas que se tornam quase inegociáveis.
Em um horizonte como esse, conciliar gostos pode parecer, à primeira vista, um missão complicada. Mas a arquiteta Cristiane Schiavoni enxerga um outro atributo que faz completa diferença no trabalho que realiza. “Todo profissional de arquitetura também tem, na verdade, um pouco de psicólogo”, diz ela completando que, antes de abordar escolhas específicas, é preciso compreender o campo emocional.
Ela conta que, geralmente, quando um casal dá início a um projeto, paira no ar a existências de concessões que podem ser dolorosas para as partes. Com suas mais de duas décadas de experiência, a profissional afirma que essa lógica parte de um equívoco. “Não se trata de uma guerra de braços e minha tarefa é descobrir o que existe de comum entre as duas pessoas. E posso afirmar que sempre existe”, diz.
Para Cristiane, essa sintonia não nasce apenas do discurso explícito dos clientes, mas surge também dos silêncios, gestos, reações diante de imagens, materiais e referências. “Muitas divergências estéticas têm raízes que vão além da obra e que se refletem em perfis, hábitos, inseguranças e até desacordos antigos que encontram no projeto um novo palco para aparecer”, explica.