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Educação

Após erro na correção do Enem participantes temem perder vagas nas universidades federais

Inep manteve o prazo de inscrição no Sisu. Nesta segunda-feira (20), instituto vai divulgar resultado da apuração sobre as 'inconsistências na correção das provas'. Estudantes dizem estar apreensivos e temem perder vaga.

Weintraub disse que "em respeito à Justiça, que estava avaliando o que houve”, preferiu ficar em silêncio sobre a correção do Enem.

A preocupação dos candidatos a uma vaga no ensino superior aumentou desde que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, reconheceu no sábado (18) que houve inconsistências” na correção dos gabaritos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Segundo Weintraub, a falha ocorreu na transmissão das informações – quem fez prova de uma cor teve o gabarito corrigido como se fosse outra cor.

O ministro da Educação afirmou que até esta segunda-feira (20) o problema será resolvido. No domingo, ele reforçou que o Inep segue apurando os erros e descartou que qualquer candidato possa ser prejudicado.

“A equipe do Inep continua trabalhando na apuração das inconsistências nas notas individuais do Enem 2019. Reafirmo: nenhum candidato será prejudicado! A abertura do Sisu será na terça, dia 21” – Abraham Weintraub, ministro da Educação.

O desempenho no Enem é critério para concorrer no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece 237 mil vagas em universidades federais em todo o país. O período de inscrições foi mantido: vai de terça-feira (21) a sexta-feira (24).

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De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem, 3,9 milhões de pessoas fizeram as provas em 3 e 10 de novembro. A princípio o erro havia atingido apenas a correção de gabaritos do 2º dia, quando houve provas de ciências da natureza e matemática. Neste domingo (19), o Inep afirmou que a revisão será feita nos dois dias do exame.

O Inep criou um email para os candidatos que se sentirem prejudicados. O endereço é enem2019@inep.gov.br. Os relatos devem ser enviados até as 10h desta segunda-feira (20), com nome completo e CPF.

Virgínia Medina, 20 anos, tenta pela quarta vez entrar em medicina – o primeiro ano foi como “treineira”. Ela procurou o Inep e, até a manhã de domingo quando conversou com o G1, não sabia se as suas notas estavam sendo revisadas.

“Meu medo é o erro não ser corrigido e eu ser prejudicada no Sisu. Foi um ano inteiro de investimento. Eu morei em outra cidade para fazer cursinho, paguei as aulas, estudei bastante e agora comecei a me preocupar, porque aquela nota não condiz com a minha preparação” – Virgínia Medina, 20 anos, que fez prova em Viçosa (MG).

Até a manhã de sábado, o MEC e o Inep não sabiam informar quantas pessoas poderiam ter sido atingidas, mas admitiram o erro em ao menos quatro provas de Viçosa (MG) – justamente a cidade em que Virgínia fez o exame. O governo não descartou que as falhas podem ter ocorrido em outros estados e afirmou que investiga o caso.

Segundo Weintraub, o erro atingiu “alguma coisa como 0,1%” dos candidatos que prestaram o exame – o equivalente a 3,9 mil candidatos. Depois, Alexandre Lopes, presidente do Inep, falou que o erro poderia ter afetado “até” 1% – 39 mil pessoas. Ao fim, afirmou que “não chega a 9 mil”.

#ErrosnoEnem

Os relatos de erros nas notas do Enem começaram a aparecer nas redes sociais assim que os resultados individuais foram divulgados na sexta (17).

De acordo com os estudantes ouvidos, antes do anúncio do governo, eles já haviam procurado o Inep, por telefone e e-mail.

A resposta era de que não seria possível revisar a correção e que o Enem seguia a Teoria de Resposta ao Item (TRI) – metodologia que avalia se o estudante acertou as questões fáceis e difíceis ou só as difíceis, por exemplo, uma espécie de método “antichute”. A TRI calcula as notas conforme o desempenho em vez de contabilizar erros e acertos. O mesmo esclarecimento foi enviado pelo Inep à TV Globo.

Os estudantes de Viçosa viram que outros candidatos estavam com o mesmo problema e começaram a usar a hashtag #errosnoenem. Logo, foram seguidos por outros estudantes de todo o país.

Os relatos feitos são de candidatos que fizeram a prova do Enem no Pavilhão de Aulas B (PVB) da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Segundo eles, ao menos 50 estudantes tiveram o mesmo problema e estudam entrar com uma ação no Ministério Público Federal.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) diz estar recolhendo informações de candidatos prejudicados para denunciar o caso à Justiça. A entidade diz estar atenta para as “correções necessárias”.

“Quando vi a nota baixa, achei que era erro e seria atualizado. Depois, vi que não foi. A gente confia na nossa educação e no preparo dado pelos professores. Sabíamos que estava errado. É uma sensação de descaso absurda, uma desvalorização de tudo que estudamos este ano” – Lívia Costa, 19 anos, que tenta medicina na UFV.

Nota mínima

Das 45 questões em matemática, Lívia afirma que acertou 36 e recebeu nota 350. “Não conheço absolutamente ninguém que já tirou essa nota, é praticamente a nota mínima do Enem”, afirma ela, que em outras edições da prova chegou a atingir 700 pontos na disciplina.

“Nenhum dos participantes que entrei em contato está tranquilo com a manifestação [do MEC], principalmente pelo prazo curto que deram para refazer a correção”, afirma Gustavo Castro, 18 anos, que fez seu primeiro Enem no PVB de Viçosa.

Ele conta que acertou 35 questões das 45 em matemática e em ciências da natureza. Em ambas, tirou 400. “Mesmo com TRI, as notas de matemática são sempre próximas a 700 ou 800 [com este número de acertos]. Ano passado, sem cursinho e estudando em escola pública, eu tirei 785. A discrepância é muito grande”, afirma.

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