A greve na empresa de transporte coletivo Expresso Rei de França (1001) chegou ao quarto dia e voltou a expor a fragilidade do sistema de mobilidade urbana em São Luís. Para a doutora em Transportes Zuleide Feitosa, a crise reforça a necessidade de investimentos em outros modais além dos ônibus, como forma de reduzir os prejuízos à população durante paralisações recorrentes.

Segundo a especialista, o cenário atual é consequência de falhas tanto do poder público quanto das empresas concessionárias. Problemas no repasse de subsídios e na oferta do serviço, afirma, revelam dificuldades da gestão pública em lidar com os desafios do setor.

Especialista defende diversificação do transporte

Zuleide reacende o debate sobre a implantação de BRTs e VLTs como alternativas para fortalecer o transporte coletivo na capital maranhense. Para ela, a ampliação das opções ajudaria a minimizar crises como a atual, marcada por instabilidade e greves frequentes.

“A gestão pública falha no repasse do subsídio, o concessionário falha na oferta do serviço. Esse conflito mostra que há muitas deficiências na forma como os problemas são geridos. Além do ônibus, temos BRTs e VLTs que poderiam ser implantados. Isso ajudaria a evitar crises como essas que São Luís vive, com sucessivos vai e vem de greves”, avaliou.

Greve entra no 4º dia e frota segue totalmente parada

A paralisação entrou no 4º dia nesta terça-feira (27). Na manhã de segunda-feira (26), parte da frota chegou a sair da garagem, mas os veículos retornaram pouco depois, interrompendo novamente o atendimento à população. Com isso, toda a frota da 1001 permanece paralisada.

Os rodoviários cobram o pagamento de salários atrasados, décimo terceiro, tíquete-alimentação e férias. A greve afeta moradores de cerca de 15 bairros, que dependem do transporte público para se deslocar diariamente.

Até o momento, a empresa 1001 não se manifestou oficialmente sobre a quitação dos débitos trabalhistas nem sobre a normalização do serviço.

Bairros afetados pela greve da 1001

  • Ribeira

  • Viola Kiola

  • Vila Itamar

  • Tibiri

  • Cohatrac

  • Parque Jair

  • Parque Vitória

  • Alto do Turu

  • Vila Lobão

  • Vila Isabel Cafeteira

  • Vila Esperança

  • Pedra Caída

  • Recanto Verde

  • Forquilha

  • Ipem Turu

O que diz a MOB

Em nota, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informou que acompanha a paralisação e afirmou que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos.

A agência ressaltou que as obrigações trabalhistas são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme previsto nos contratos de concessão, e disse manter diálogo com rodoviários e empresários para buscar uma solução.

O que diz o SET

Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) afirmou que não foi comunicado oficialmente sobre a paralisação, o que, segundo a entidade, tornaria o movimento ilegal e abusivo.

O SET também criticou o município por atrasos e descontos no pagamento do subsídio, alegando descumprimento de acordos homologados na Justiça do Trabalho. A entidade informou que irá intermediar o conflito.

Histórico de paralisações

Esta é a terceira greve da 1001 em menos de três meses. A primeira ocorreu em 14 de novembro de 2025 e durou 12 dias. A segunda foi registrada na véspera de Natal, encerrada cinco dias depois. Em ambos os casos, os protestos também foram motivados por salários e benefícios atrasados.