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‘Sentimos como se fosse um terremoto’, diz brasileira em Beirute

Impacto da explosão balançou o prédio e quebrou o vidro das janelas.

Explosão deixa Beirute, capital do Líbano, com cenas de guerra

Brasileiros que moram no Líbano contam o que sentiram durante o momento da explosão na região portuária de Beirute nesta terça-feira (4). Segundo nota do Itamaraty, até as 17h não havia notícia de brasileiros mortos ou gravemente feridos.

Rosaly Bouassi disse em entrevista à Globonews que pensou estar no meio de um terremoto e que o impacto da explosão balançou o prédio e quebrou o vidro das janelas.

“O meu bairro não é tão perto, mas sentimos aqui como se fosse um terremoto. O prédio balançou, os vidros quebraram, as cadeiras da sala de jantar ficaram cada uma para um lado. Foi muito forte, terrível.”

Mesmo morando na região do centro da cidade, não muito próxima do porto, a força do impacto fez Rosaly pensar que tivesse acontecido na rua de sua casa. “Tudo em volta começou a quebrar, tudo caia. Não foi muito rápido, durou um pouco. Foi assustador.”, disse.

Ela também ressaltou a solidariedade das pessoas durante um momento difícil que o país atravessa, com instabilidade política, crise econômica e insatisfação com o governo.

“Cada um está tentando ajudar aos outros. Os danos são terríveis, tudo muito lamentável e muito triste. As pessoas esqueceram da Covid neste momento”.

‘Pensei que a guerra estava recomeçando’

Gilmara Souza estava trabalhando em casa quando sentiu um tremor muito forte. Ao verificar se a filha estava bem, aconteceu a primeira explosão. “A rua toda estava com os vidros quebrados, estilhaços por toda rua. Foram duas explosões, uma seguida da outra”, disse.

“Senti um medo muito grande, senti que a guerra recomeçou aqui”

Babá heroína

O brasileiro Luiz Felipe Czarnobai, de 34 anos, contou à BBC que estava em seu apartamento próximo ao porto com seus três filhos e a babá das crianças quando viu a explosão.

Seu filho mais velho, de 9 anos, viu a explosão da janela e gritou pela babá Welet Tekle. “Eu estava a três metros e gritei ‘corre'”, conta Luiz Felipe.

“Welet foi nossa heroína, depois que gritei, foi ela que puxou meu filho Gustavo, de 9 anos, e os salvou dos estilhaços da explosão”.

Luiz Felipe conta que quase todas as janelas do apartamento se estilhaçaram. “Eu só vi uma luz forte vindo em direção à janela da sala, ouvi um barulho enorme e os vidros quebrando.”

Ele contou que pegou os outros filhos e buscou abrigo embaixo de uma cama com os filhos e a babá. Os quatro ficaram ali por cerca de 20 minutos enquanto seu marido, que estava num prédio próximo no momento da explosão, corria de volta para casa.

“Agora as crianças estão calmas, estão dormindo, mas estamos sem janelas. Está cheio de vidro, então não dá nem para chegar perto”, conta.

Fumaça Rosa

Isabella Hijazi, de 20 anos, mora a dez minutos do porto e sentiu o chão tremer fortemente enquanto assistia séries em casa. Ela disse em entrevista à BBC que tomou um susto enorme com a explosão.

“Do nada começou a tremer o chão da minha casa, eu achei que era um terremoto”, conta.

“As janelas tremeram e abriram, minha cortina voou para dentro de casa, quase tive um ataque do coração. Então olhei pela janela e vi uma fumaça rosa”, conta a estudante brasileira de Foz do Iguaçu, que mora há 3 anos no Líbano. “Diversas janelas nos prédios em volta quebraram”.

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Sem saber o que estava acontecendo

Há 3 anos no Líbano, a brasileira Liamara Vincentim contou ao G1 que passava pela portaria do prédio em que mora no bairro Ramlet El Baida, a cerca de 7 km do local da explosão, quando sentiu um forte tremor.

“Senti um tremor na terra, como se fosse um terremoto, e de repente uma explosão muito forte que chegou a quebrar os vidros da portaria”.

“Ficou eu e o porteiro sem saber o que estava acontecendo, foi meio assustador”, acrescenta. Depois os vizinhos começaram a sair e gritar na janela, e nesse momento ela viu a fumaça e percebeu que era uma explosão longe dali.

‘Meu pai voou até o fundo da loja’

O brasileiro Mohammed Calaf tem uma loja com seu pai em Beirute, a cerca de 4km do porto onde aconteceu a explosão. Ele conta que estava no telefone quando sentiu tudo começar a tremer e falou para o pai entrar no estabelecimento.

“Quando ele foi virar pra entrar deu aquele barulho e aquela pressão. Meu pai voou da entrada até o fundo da loja”. Ele conta que os dois caíram no chão com a pressão da explosão e seu pai teve ferimentos leves.

A fachada da loja de Mohammed Calaf com os vidros quebrados após explosão em Beirute — Foto: Reprodução/Globonews

A fachada da loja de Mohammed Calaf com os vidros quebrados após explosão em Beirute — Foto: Reprodução/Globonews

Quando a situação se acalmou eles saíram para a rua e Mohammed ficou desolado com a situação.

“Foi uma cena lamentável, muito triste. Vidros de carro quebrados, janelas dos prédios no chão, pessoas feridas. Não sabia se cuidava do meu pai ou cuidava das pessoas”

Após algum tempo eles voltaram para casa e seu pai se recusou a ir para o hospital por ter apenas ferimentos leves: “Eu estou bem e tem muita gente com feridas graves que precisam mais”.

Fonte: G1.com

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