A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) acionou a Comissão de Ética da Presidência da República contra o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT-RJ), por causa do patrocínio da estatal ao desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. O motivo central da representação é o apoio financeiro a uma agremiação que levará à Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Damares, o repasse de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas ligadas à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) — totalizando R$ 12 milhões — caracteriza uso indevido de recursos públicos com finalidade política. Para a senadora, a verba da Embratur estaria sendo utilizada para favorecer a promoção pessoal do chefe do Executivo.

Na representação, a parlamentar afirma que a destinação do dinheiro viola princípios éticos da administração pública e aponta possível “instrumentalização da máquina pública”. Ela também menciona a presença de Freixo em um ensaio técnico do Carnaval vestindo uma camisa com a imagem de Lula, o que, segundo a denúncia, reforçaria uma atuação incompatível com o cargo e poderia configurar antecipação de campanha eleitoral.

Marcelo Freixo negou as acusações. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente da Embratur afirmou que o patrocínio à Liesa tem como objetivo ampliar a divulgação internacional do Carnaval, fortalecer o turismo e movimentar a economia. Ele ressaltou ainda que o valor repassado é o mesmo do ano anterior e destacou que o governo do Rio de Janeiro e a prefeitura da capital também financiam o evento.

A homenagem a Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói tem provocado reações da oposição no Congresso. Além da iniciativa de Damares, o partido Novo apresentou uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a suspensão do repasse à escola.

O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro Aroldo Cedraz. Na decisão, ele afirmou que os recursos fazem parte de um termo de cooperação voltado à promoção internacional do Brasil como destino turístico. Segundo o ministro, não há indícios de favorecimento à Acadêmicos de Niterói em relação às demais escolas do Grupo Especial.

“Não há qualquer elemento nos autos que indique favorecimento da escola Acadêmicos de Niterói em relação às demais”, afirmou Cedraz.