O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9/3) que o Brasil e a África do Sul precisam ampliar a cooperação na área de defesa e se preparar para possíveis ameaças, mesmo sendo regiões historicamente comprometidas com a paz.

A declaração ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, ao lado do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, quando os dois países assinaram novos acordos bilaterais para fortalecer a parceria estratégica.

“Na América do Sul nos colocamos como uma região de paz. Nossa tecnologia não é para a guerra. Mas, se a gente não se preparar para a questão da defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, declarou Lula.

Contexto internacional

A fala do presidente ocorre em meio a um cenário internacional de tensões e ações militares lideradas pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump.

Em 3 de janeiro de 2026, forças norte-americanas realizaram uma operação militar na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação incluiu ataques aéreos e mobilização militar no Caribe, com alvos em instalações estratégicas próximas a Caracas.

Já no Oriente Médio, o governo Trump ordenou, em junho de 2025, bombardeios contra instalações nucleares do Irã, como Fordow, Natanz e Isfahan. As ofensivas se intensificaram em 2026, em operações conjuntas com Israel, que culminaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, ampliando as tensões na região.

Parceria entre Brasil e África do Sul

O encontro entre Lula e Ramaphosa marcou um novo passo na tentativa de aprofundar a parceria entre Brasil e África do Sul, com cooperação em áreas como comércio, agricultura, turismo, investimentos e intercâmbio cultural.

Lula destacou que os dois países também atuam juntos em fóruns internacionais como o BRICS e o G20, defendendo uma ordem global mais equilibrada e baseada no multilateralismo.

Ramaphosa agradeceu a recepção e classificou a reunião como produtiva.

“Tivemos uma recepção afetuosa e discussões construtivas nesta manhã”, afirmou o presidente sul-africano.

O líder também reforçou o compromisso dos dois países com a resolução pacífica de conflitos no Oriente Médio.

“Condenamos a perda de vidas, principalmente de civis, nessa parte do mundo, e pedimos um cessar-fogo imediato”, disse.

Ramaphosa acrescentou ainda que vê o Brasil como uma porta de entrada para ampliar a presença comercial sul-africana na América do Sul e no Caribe.

“A liderança do presidente Lula fortaleceu as bases da nossa parceria estratégica. Vemos o Brasil como um parceiro estratégico e valorizamos seu apoio em várias questões do nosso continente. Trata-se de uma relação de fortalecimento mútuo”, declarou.

Acordos assinados

Durante a cerimônia no Planalto, Brasil e África do Sul formalizaram uma série de iniciativas de cooperação. Entre elas:

  • Renovação por quatro anos do Plano de Ação em Turismo, com objetivo de ampliar viagens de lazer e negócios entre os países;

  • Avanço em acordos nas áreas de comércio e investimentos, incluindo o processo de conclusão do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos;

  • Cooperação no agronegócio, com troca de boas práticas e colaboração em saúde animal por meio do Grupo de Trabalho de Cooperação Agrícola;

  • Ampliação do intercâmbio cultural entre as duas sociedades.

Lula também destacou o potencial de cooperação na exploração de minerais críticos — considerados estratégicos para a transição energética — e afirmou que esses recursos podem gerar riqueza e ampliar o desenvolvimento tecnológico nos dois países.