O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a postura internacional do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, afirmando que nenhum país tem o direito de ameaçar outras nações ou interferir em sua soberania.

Em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16), Lula disse que Trump não tem legitimidade para adotar esse tipo de comportamento.

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá esse direito”, declarou.

Críticas a ameaças e intervenções

A fala ocorre após declarações recentes de Trump envolvendo o Irã, além de críticas recorrentes à atuação dos EUA em países como Cuba e Venezuela.

Para Lula, nenhum país deve desrespeitar a integridade territorial de outro ou interferir em sua soberania. Ele também afirmou que faltam lideranças globais comprometidas com a manutenção da paz.

“Por mais importante que seja um país, ele precisa ter mais responsabilidade para garantir a estabilidade mundial”, disse.

Risco de guerra global

Durante a entrevista, o presidente brasileiro também comentou o risco de uma escalada internacional de conflitos.

Segundo ele, uma eventual terceira guerra mundial teria consequências muito mais graves do que os conflitos do século passado.

“Seria uma tragédia muito maior do que a Segunda Guerra Mundial”, afirmou. Lula acrescentou que esse cenário pode se tornar possível caso líderes continuem adotando posturas agressivas.

Cuba e embargo

O presidente também criticou o endurecimento das sanções contra Cuba, destacando que o embargo econômico ao país já dura décadas.

Para Lula, a medida prejudica diretamente a população e não contribui para mudanças internas.

“Não tem explicação um bloqueio por tanto tempo. Como um país pode se desenvolver sem acesso a recursos básicos?”, questionou.

Venezuela e eleições

Sobre a Venezuela, Lula disse que o Brasil defendeu a realização de eleições e o respeito ao resultado como forma de restaurar a estabilidade no país.

Ele também criticou a postura dos Estados Unidos em relação ao país vizinho. “O que não dá é os EUA acharem que podem administrar a Venezuela”, afirmou.

Relação com os EUA

Ao comentar a relação bilateral, Lula ressaltou que divergências ideológicas não devem impedir o diálogo entre chefes de Estado.

“Não preciso concordar ideologicamente. Preciso defender os interesses do Brasil”, disse.

Ele lembrou ainda que, após negociações recentes, os Estados Unidos recuaram de tarifas impostas a produtos brasileiros, reforçando a importância do diálogo diplomático.