O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta sexta-feira (9), que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve ser assinado nos próximos dias e que o governo brasileiro trabalha para que o pacto entre em vigor ainda em 2026.
Em entrevista à imprensa, Alckmin explicou que, após a assinatura, o acordo precisará passar pelo processo de “internalização”, ou seja, pela aprovação do Parlamento Europeu e dos Congressos dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Segundo o vice-presidente, a expectativa do governo é acelerar o trâmite no Congresso Nacional. “Se o Congresso brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, do Paraguai e do Uruguai para que o acordo já entre em vigência”, afirmou.
Alckmin ressaltou que a sociedade brasileira tende a ser beneficiada com produtos mais baratos e de melhor qualidade, além do aumento da competitividade no mercado interno.
Emprego e investimentos
O vice-presidente destacou ainda que o acordo tem potencial para impulsionar a geração de empregos e atrair investimentos estrangeiros. De acordo com ele, a tendência é de aumento tanto dos investimentos europeus no Brasil quanto dos aportes brasileiros nos 27 países que compõem a União Europeia.
“Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros na Europa”, disse.
Alckmin também reforçou o peso econômico do bloco europeu para o Brasil. Atualmente, a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas da China. Em 2023, a corrente comercial entre os dois blocos — soma de exportações e importações — alcançou cerca de US$ 100 bilhões.
Somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia no ano passado, crescimento de 5,4%. Para o restante do mundo, o avanço do setor foi menor, de 3,8%.
“A União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino das exportações de 22 estados brasileiros”, destacou o vice-presidente.
Segundo Alckmin, cerca de 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para o mercado europeu, o que representa mais de 9 mil empresas. “Essas empresas empregam mais de três milhões de trabalhadores”, acrescentou.
Sustentabilidade e cenário global
Além do impacto econômico, Alckmin avaliou que o acordo fortalece o multilateralismo e cria regras claras para o comércio internacional, em oposição ao avanço do isolacionismo em diferentes regiões do mundo.
O vice-presidente também afirmou que o pacto amplia compromissos ambientais, especialmente no enfrentamento às mudanças climáticas. “É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo, vende”, resumiu.
Para ele, o acordo se torna ainda mais relevante diante de um cenário geopolítico marcado por conflitos e instabilidade. “Mostra que é possível construir um caminho de comércio com regras, abertura econômica e fortalecimento do multilateralismo”, afirmou.
Decisão histórica
A aprovação política do acordo foi confirmada nesta sexta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Segundo ela, o Conselho da União Europeia apoiou o pacto por ampla maioria.
“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em uma postagem na rede social X. “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, completou.
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