A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (27) que a morte do cão Orelha, em Florianópolis, tem causado “tristeza e indignação”. O animal morreu após sofrer agressões no início de janeiro, na Praia Brava, no Norte da capital catarinense.
Em publicação nas redes sociais, Janja disse não compreender atitudes de violência contra animais. “Eu nunca entendi o que se passa na cabeça e no coração de quem tem coragem de maltratar outro ser vivo, principalmente um ser indefeso, como um cachorro”, escreveu. Segundo ela, o caso de Orelha gerou forte comoção por envolver um ato de crueldade cometido por adolescentes.
Orelha era um cão comunitário e era cuidado por moradores e frequentadores da região havia anos. Em meados de janeiro, o animal foi dado como desaparecido e, dias depois, encontrado ferido. Ele não resistiu aos ferimentos e passou por eutanásia.
Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento no ato infracional de maus-tratos, a partir da análise de imagens de câmeras de segurança e de depoimentos colhidos pela Polícia Civil.
Para a primeira-dama, a morte do cachorro não se trata de um episódio isolado. “É um alerta doloroso sobre uma geração exposta, desde cedo, a discursos e conteúdos digitais que banalizam a violência”, afirmou. Janja também mencionou a importância de limites, responsabilidade e acompanhamento familiar para prevenir comportamentos violentos.
Investigação
Na segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão relacionados à investigação sobre a morte de Orelha. Além dos adolescentes, três adultos — familiares dos jovens — foram indiciados por coação no curso do processo, após suspeita de intimidação de uma testemunha.
Dois dos adolescentes investigados estão em viagem aos Estados Unidos, previamente agendada, e devem prestar depoimento na próxima semana. O inquérito segue em andamento.
O grupo também é investigado por uma tentativa de afogamento de outro cachorro, ocorrido na mesma região. A polícia apura se os dois casos têm relação e se foram praticados pelas mesmas pessoas. O animal, chamado Caramelo, sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as medidas previstas em lei para atos infracionais cometidos por adolescentes incluem advertência, reparação de dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e, em casos excepcionais, internação.
O MP informou que aguarda a conclusão do inquérito policial para definir os próximos encaminhamentos.