Sentir uma dor no peito, um formigamento no braço ou um cansaço fora do comum pode ser suficiente para levar milhares de brasileiros a fazer a mesma coisa: recorrer ao Google. Diante de sintomas que despertam preocupação imediata, a internet se torna, muitas vezes, o primeiro passo na tentativa de entender o que está acontecendo com o próprio corpo.

Um levantamento do Olá Doutor, plataforma de consultas online via chat, revela que esse comportamento tem endereço certo: os sintomas de infarto lideram as buscas relacionadas à saúde no Brasil. Ao todo, foram mais de 970 mil pesquisas nos últimos 12 meses, número que coloca a condição no topo do ranking das doenças mais procuradas pelos usuários na internet.

O dado acende um alerta importante: segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no país, responsáveis por cerca de 400 mil óbitos anuais. Nesse contexto, o volume elevado de buscas pode refletir não apenas preocupação, mas também dúvidas ao identificar os sinais — o que reforça a importância da informação de qualidade e orientação médica adequada.

Mas, afinal, para além do infarto, quais outros sintomas levam os brasileiros ao Google constantemente quando o assunto é saúde? O que mais desperta preocupação a ponto de motivar essas buscas e em quais regiões do país esse comportamento se destaca? Você confere respostas para essas perguntas no conteúdo a seguir, que também destaca os perigos de se substituir uma avaliação médica por informações rápidas encontradas na Web. Leia mais:

Ranking traz os sintomas de doenças mais buscados pelos brasileiros 

Da virose ao diabetes, o levantamento do Olá Doutor mostra que, para além dos altos volumes de busca por sintomas, o que não faltam na Web são dúvidas sobre diferentes problemas e condições de saúde — que, no geral, se dividem entre doenças agudas (de início súbito e curta duração) e aquelas do tipo crônico, que exigem acompanhamento contínuo ao longo do tempo.

 

 

Entre as condições agudas, chamam atenção termos relacionados a quadros como pancreatite, apendicite, viroses e labirintite, que demandam atenção imediata e geraram, juntas, mais de 2,7 milhões de buscas no último ano. Ainda assim, o grande destaque são os sinais de infarto, líder no ranking nacional de buscas por sintomas.

Para o Olá Doutor, o interesse elevado, responsável por 970.500 pesquisas na internet, pode ser explicado por dois fatores principais. De um lado, há a gravidade da condição: segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, gerando cerca de 400 mil óbitos anuais.

“De outro”, completa Anderson Zilli, CEO da plataforma, “persiste a dificuldade em identificar seus sinais, muitas vezes confundidos com quadros menos graves, como crises de ansiedade, o que leva muitos brasileiros a recorrerem à internet em busca de esclarecimentos rápidos”.

Já entre as doenças crônicas, aparecem entre as pesquisas da população condições como diabetes (940500 buscas) e lúpus (744500 buscas), que também somaram um volume expressivo de idas ao Google ao longo dos últimos 12 meses. Diferentemente dos quadros agudos, trata-se de enfermidades que exigem acompanhamento médico constante, o que reforça a importância de informações confiáveis… e do cuidado ao interpretar conteúdos encontrados online.

Onde estão os brasileiros mais preocupados com sintomas de doenças? 

Embora a busca por sintomas de doenças seja um hábito disseminado em todo o país, o levantamento também revela como os moradores de certos estados se destacam quando o assunto é recorrer ao Google para obter informações de saúde mensalmente.

Nos últimos 12 meses, o maior volume de buscas se concentrou no Distrito Federal, que lidera o ranking nacional — e aquele no qual os sintomas de pancreatite foram os mais pesquisados, somando 17,5 mil pesquisas no período. Na sequência, aparecem os estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo, onde os sintomas mais buscados estão relacionados, respectivamente, à conjuntivite e ao diabetes.

Internet e saúde: quando recorrer à Web se torna um problema 

Durante o evento FUTR Health ’26, realizado no último mês pelo Olá Doutor, em São Paulo, o médico Jairo Bouer chamou atenção para o impacto da relação com a internet no comportamento dos pacientes, especialmente no modo como diferentes gerações consomem e confiam em orientações sobre saúde. Segundo ele, esse novo cenário, onde canais como Google e ChatGPT atuam como fontes primárias de informação, exige adaptação por parte dos profissionais e das formas de atendimento.

“Entre os mais jovens, há uma relação mais horizontal com a informação, o que pode gerar maior questionamento da autoridade médica tradicional. Já entre as gerações mais antigas, ainda existe uma resistência maior ao uso da tecnologia para acessar serviços de saúde. Estamos vivendo um momento de transição, em que é preciso adaptar a comunicação e fortalecer o vínculo com o paciente”, destacou.

Já Zilli, CEO do Olá Doutor, complementa com alguns pontos de atenção para os pacientes conectados. “Não é preciso ignorar a internet, mas é fundamental evitar que ela se torne um substituto da consulta médica. A informação pode ajudar, mas não deve ser o ponto de partida para autodiagnósticos sem orientação profissional — algo que hoje pode ser resolvido com poucos cliques, inclusive por meio de consultas online”.

Metodologia

Para compreender as buscas por sintomas no Brasil, foram consideradas pesquisas no Google realizadas por internautas durante os últimos doze meses. A investigação foi pautada por expressões como “sintoma”, “sintomas de” e suas variações, abrangendo todas as buscas relativas ao tópico nas cinco regiões nacionais. Em seguida, doenças e questões de saúde foram dispostas em um ranking baseado no volume total de buscas ao longo do último ano.