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Saúde

Transplantados: como fica o tratamento com mudanças no SUS

Ministério da Saúde suspendeu contrato com fabricantes de 18 medicamentos e uma vacina, mas afirma que irá readquiri-los na 'iniciativa privada'

Transplantados demonstraram indignação nas redes sociais em relação à suspensão do contrato entre o Ministério da Saúde e fabricantes de 18 medicamentos e uma vacina distribuídos gratuitamente na rede pública,anunciado na terça-feira (16). Há remédios para transplantados, diabéticos, pessoas com câncer, com insuficiência renal crônica, entre outros.

“Li a notícia de que o governo descadastrou 9 laboratórios que produzem medicamentos de uso contínuo. Dois deles produzem medicamentos que eu tomo. Estou em pânico porque não sei se mês que vem conseguirei pegá-los na farmárcia”, postou uma transplantada no Twitter.

“Há 12 anos sou transplantada e por isso tomo medicamento contínuo de alto custo. São medicamentos fornecidos pelo SUS e no caso do meu tratamento custam cerca e R$ 2,5 mil ao governo brasileiro. Eu recebia semestralmente um relatório, mas há quatro anos não recebo mais”, afirmou outra transplantada.

No caso de medicamentos para transplantados, eles são de alto custo, sendo alguns não encontrados em farmácias. A interrupção do tratamento medicamentoso pode acarretar na perda do órgão e até mesmo na morte do paciente, de acordo com a nefrologista Luciane Deboni, coordenadora de transplantes da Fundação Pró-Rim.

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“Os remédios que esses pacientes utilizam e são distribuídos pela rede pública são absolutamente vitais. Eles são usados para que o órgão transplantado não seja rejeitado pelo corpo. Ficar sem o remédio pode colocar o transplante a perder. Quando é de um rim, por exemplo, há ainda a diálise para substituir a função no caso de uma rejeição. Mas e se é um transplante de coração? O paciente não sobrevive”, explica.

A médica afirma que a falta de medicamentos não é algo novo e que antes mesmo da realização dos cortes pelo Ministério da Saúde ela já ocorria. “É obrigação do governo assegurar a medicação para a população. Não é possível que os transplantados, e também outros pacientes que recebem essas medicações, ficarem tranquilos. Antes já faltava, já atrasava. A preocupação não é nova, mas é agravada”, afirma a médica.

Luciane explica que, atualmente, o governo gederal é o responsável pelo fornecimento das medicações para pacientes transplantados e que, ao comprar os medicamentos, repassa para os Estados. Assim, com a compra unificada dos medicamentos, que vêm em grande quantidade e por um preço menor, se há atrasos ou faltas, todo o país fica sem os remédios.

Outra preocupação tanto da médica quanto de pacientes que se manifestaram nas redes sociais é que alguns medicamentos não são encontrados em farmácias no país sendo de fornecimento exclusivo da rede pública.

Já em relação àqueles medicamentos que podem ser comprados, o custo é elevado, chegando a R$ 3 mil por remédio. Segundo Luciane, esses pacientes não tomam apenas um tipo de medicação, mas até sete remédios por mês, o que poderia gerar um gasto mensal de R$ 21 mil.

A nefrologista orienta que os pacientes tenham um controle das medicações e uma previsão do quanto ela ainda durará, de maneira a não deixar faltar em casa se não tiver no SUS. Já em caso de escassez de medicamentos, ela afirma que os pacientes devem recorrer ao MP (Ministério Público) para garantir que seu direito aos medicamentos seja atendido, já que ainda essas medicações fazem parte dos remédios fornecimentos do SUS. “Peça doações, recorra ao Ministério da Saúde, mas não deixe de tomar uma dose sequer do remédio”, orienta.

Em relação à suspensão dos contratos, o Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que a medida não afetará a população. “A maior parcela desses remédios em fase de suspensão sequer chegou à fase de fornecimento do produto. Para garantir o abastecimento da rede, o Ministério vem realizando compras das medicações por outros meios previstos na legislação”.

Nesta terça-feira, o Ministério informou que os remédios que eram fornecidos por laboratórios públicos e tiveram contratos suspensos serão adquiridos da iniciativa privada.

Saiba quais são as 18 medicações e vacina que tiveram contrato suspenso:

• Adalimumabe;
• Etanercepte;
• Everolimo;
• Gosserrelina;
• Infliximabe;
• Insulina (NPH e Regular);
• Leuprorrelina;
• Rituximabe;
• Sofosbuvir;
• Trastuzumabe;
• Cabergolina;
• Pramipexol;
• Sevelâmer;
• Vacina Tetraviral;
• Alfataliglicerase;
• Bevacizumabe

Fonte:R7.com

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