O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao SBT News nesta quarta-feira (11), que considera ilegal a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo o Banco Master.

A iniciativa foi apresentada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e tem como foco os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Segundo Flávio, uma CPI não pode ser aberta para apurar crimes comuns atribuídos a indivíduos.

“Você não pode instaurar uma CPI para investigar crimes comuns de pessoas”, disse.

O requerimento foi protocolado na segunda-feira (9) com 35 assinaturas, oito a mais que o mínimo exigido para a abertura de uma comissão no Senado. Flávio foi o 29º senador a assinar o documento, o que gerou críticas nas redes sociais. Parte de eleitores da oposição questionou se o parlamentar teria algum tipo de relação com os ministros citados.

O senador negou qualquer vínculo com o atraso na assinatura. Segundo ele, Alessandro Vieira teria acelerado a coleta de apoios durante o fim de semana com o objetivo de constrangê-lo publicamente.

“Ele correu com as assinaturas exatamente para dizer que eu não assinei, porque eu tenho algum rabo preso, o que é mentira. E ele sabe disso”, afirmou.

Críticas a Alessandro Vieira

Flávio também fez críticas mais amplas ao colega de Senado. De acordo com ele, Vieira teria transformado a CPI do Crime Organizado — que investigaria facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho — em um palanque político.

O senador afirmou que a convocação de nomes ligados ao governo anterior, como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, desviou o foco da investigação.

“Senadores como Alessandro Vieira descredibilizam o que ainda resta de credibilidade do instituto das CPIs”, declarou.

Ampliação do foco da CPI

Apesar de questionar a legalidade da proposta na forma atual, Flávio Bolsonaro assinou o requerimento e sugeriu ampliar o escopo da investigação para incluir integrantes do governo federal.

Entre os nomes citados estão o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil Rui Costa e o empresário baiano Augusto Lima.

Segundo o senador, todos teriam participado de reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

“Por que o Alessandro Vieira esqueceu de chamar essa galera? Só porque ele é base do governo Lula?”, questionou.

Escândalo do Banco Master

A proposta de CPI surgiu após a revelação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro que indicariam contato direto com o ministro Alexandre de Moraes durante negociações relacionadas à venda do Banco Master.

Reportagem do O Estado de S. Paulo também apontou que um empreendimento ligado a familiares de Dias Toffoli teria conexão com fundos associados ao banco.

Para preservar o sigilo das conversas, segundo as investigações, Vorcaro e Moraes teriam utilizado o recurso de visualização única em aplicativos de mensagens, o que dificultou o acesso às respostas enviadas pelo ministro.

Impeachment de ministros

Mesmo criticando a estrutura da CPI proposta, Flávio Bolsonaro disse ser favorável à responsabilização de ministros do STF que descumpram a Lei de Responsabilidade (Lei 1.079).

“Já assinei vários pedidos de impeachment e vou assinar quantos forem necessários”, afirmou.

Fonte: Estadão Conteúdo.