Uma brincadeira publicada nas redes sociais poucas horas antes do acidente acabou ganhando contornos trágicos. “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”, escreveu Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, em seu perfil no Instagram antes de participar de um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, na zona rural de Limeira, interior de São Paulo.

A jovem morreu na manhã de sábado após ser lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar presa às cordas de segurança do equipamento. Formada em Educação Física e Gestão Esportiva, Maria Eduarda era moradora de Jandira, na Grande São Paulo, e trabalhava em uma academia.

O acidente foi registrado por pessoas que acompanhavam a atividade. Nas imagens, a jovem aparece sendo carregada por três homens até a plataforma de salto, em uma modalidade conhecida como “aviãozinho”. Logo após o lançamento, testemunhas percebem que as cordas de proteção não haviam sido conectadas e entram em desespero.

Equipes de resgate foram acionadas, mas a vítima não resistiu aos ferimentos provocados pela queda. O óbito foi constatado ainda no local.

Os responsáveis pelo lançamento — identificados como Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra — foram presos em flagrante. Segundo a Polícia Civil, eles responderão por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.

De acordo com a delegada Andréa Dantas Levy, dois dos investigados afirmaram ter sofrido um “apagão” durante os preparativos do salto e disseram não se lembrar em que momento ocorreu a falha que resultou na ausência das cordas. O terceiro suspeito alegou que apenas auxiliou no lançamento e não era responsável pela conferência dos equipamentos.

A polícia apura ainda o desaparecimento de uma câmera 360 graus que estaria com Maria Eduarda no momento do acidente. A jovem havia pago um valor adicional para registrar a experiência. O equipamento não foi encontrado pelos investigadores.

Outro ponto que ainda será esclarecido é o depoimento do homem que acompanhava a vítima no local. Após presenciar a queda, ele passou mal e precisou ser hospitalizado. Seu relato ainda é aguardado pela investigação.

Segundo a polícia, o evento não era realizado por uma empresa formalmente constituída, mas por um grupo que promovia atividades de aventura por meio de marcas divulgadas nas redes sociais. Após a tragédia, os perfis ligados à operação foram retirados do ar.

A Ponte do Esqueleto, estrutura inacabada localizada entre Limeira e Cordeirópolis, tornou-se ao longo dos anos um ponto conhecido para a prática de esportes radicais. O local, porém, já registrou outros acidentes graves. Em 2024, uma ciclista morreu após cair do viaduto. Antes disso, outras duas mulheres ficaram feridas em ocorrências semelhantes.

A Prefeitura de Limeira afirma que a responsabilidade pela fiscalização e controle de acesso à área é do governo federal. Já a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) sustenta que solicitou apoio dos municípios para restringir o acesso ao local enquanto o processo de incorporação da estrutura ao patrimônio federal era concluído.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.