Vídeos gravados após a prisão de Maria Clara, mulher trans suspeita de tentativa de homicídio em Bacabal, no interior do Maranhão, viralizaram nas redes sociais nos últimos dias. Nas gravações, ela afirma ter atacado um homem com um facão após uma discussão envolvendo a mãe dela e um casal.

As declarações feitas após a prisão também foram citadas pela Justiça na decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva.

Em uma das gravações, Maria Clara diz que não se arrependeu do ataque. “Não, eu não tô arrependido, não. Eu arrependi porque eu não matei. Se eu tivesse matado, ia ficar melhor”, afirmou.

Segundo os registros apresentados no processo, ela também teria feito ameaças contra o casal caso fosse colocada em liberdade. A Justiça considerou as declarações um indicativo de possível risco às vítimas.

Entenda o caso

A ocorrência foi registrada na noite de sábado (25), em um imóvel conhecido como prédio da antiga Coca-Cola, no Centro de Bacabal, a cerca de 240 quilômetros de São Luís.

De acordo com a decisão judicial, a confusão teria começado quando Yasmin de Sousa Pereira atingiu Antônia de Souza, mãe de Maria Clara, com um pedaço de madeira.

Na sequência, Maria Clara teria atacado Yasmin com um facão. O companheiro dela, José Ferreira da Silva Neto, tentou intervir e acabou sendo atingido.

José sofreu ferimentos no antebraço direito e na mão esquerda. Conforme os autos, ele teve um corte profundo, lesão em um tendão e perda de tecido. A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada ao Hospital Regional Laura Vasconcelos, onde passou por uma cirurgia de emergência.

O estado de saúde dele não foi divulgado.

Ocorrência foi registrada por drone

Segundo a Polícia Militar, um drone do 15º Batalhão sobrevoava a região por causa de um evento realizado nas proximidades quando registrou a confusão.

Após identificar a ocorrência, uma equipe foi enviada ao endereço. Os policiais encontraram Antônia de Souza com um ferimento na cabeça e prenderam Maria Clara em flagrante.

O facão que teria sido utilizado no ataque também foi apreendido.

Suspeita falou sobre o ataque

Em uma das gravações feitas na chegada à delegacia, Maria Clara confirmou que havia sido presa por suspeita de tentativa de homicídio.

Questionada sobre o motivo do ataque, ela afirmou que teria agido após a mãe ser agredida. Nas declarações, também fez ameaças contra o casal e mencionou uma denúncia envolvendo um suposto ponto de venda de drogas.

As declarações foram registradas em áudio e vídeo e posteriormente anexadas ao processo.

Justiça converte prisão em preventiva

Durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (27), o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A defesa solicitou o relaxamento da prisão ou, alternativamente, a liberdade provisória com aplicação de medidas cautelares.

O pedido do Ministério Público foi acolhido pelo juiz João Bruno Farias Madeira.

Na decisão, o magistrado considerou a gravidade dos ferimentos, a necessidade de cirurgia, além das ameaças registradas nas gravações.

Para o juiz, a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e preservar a integridade física das vítimas, diante do risco de novas ações violentas.

Segundo a decisão, Maria Clara possui duas condenações anteriores e também responde a outro processo criminal.

Ela permanece presa preventivamente. A Polícia Civil continua investigando o caso.