O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (8) que sua campanha avalia propor o fim do split payment, mecanismo previsto na reforma tributária para automatizar o recolhimento de impostos.
A ferramenta está prevista para entrar em operação a partir de 2027 e tem, entre seus objetivos, reduzir fraudes e sonegação no pagamento de tributos.
Flávio, no entanto, criticou o modelo e afirmou que o sistema pode comprometer o fluxo de caixa das empresas.
“Se você implementa o split payment, você acaba com o fluxo de caixa das empresas e, na situação financeira em que elas estão hoje, vai ser uma quebradeira generalizada”, declarou o senador.
Segundo o candidato, o intervalo entre o faturamento de uma empresa e o pagamento dos impostos pode ser utilizado como capital de giro para manter as operações.
“Esse prazo [entre o faturamento e o pagamento dos impostos] às vezes é o fluxo que ela precisa para poder manter a empresa de pé e suportar qualquer dificuldade”, afirmou.
Flávio disse ainda que caberá ao Congresso Nacional decidir sobre a manutenção ou não do mecanismo. Nesta semana, a coordenadora da equipe econômica da campanha, Daniella Marques, também havia defendido o fim do split payment.
Como funciona o split payment
O split payment é um modelo de recolhimento de tributos no qual, no momento de uma transação comercial, a parcela correspondente aos impostos é separada do valor da operação e direcionada diretamente ao governo.
Na prática, o mecanismo busca impedir que o valor destinado ao pagamento de tributos permaneça temporariamente com a empresa antes de ser repassado ao Fisco.
Especialistas citados em discussões sobre a reforma tributária apontam que o sistema pode ajudar a reduzir fraudes e sonegação. Em entrevista à Record News em 2025, uma economista e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) afirmou que a automatização também pode diminuir erros no cálculo dos tributos.
Flávio fala em ampliar agenda no Nordeste
Durante a coletiva desta quinta-feira, Flávio Bolsonaro também afirmou que pretende intensificar a agenda política no Nordeste durante o segundo turno.
O candidato destacou o desempenho obtido na região no primeiro turno e afirmou que a votação representou uma redução da diferença entre o candidato do PL e o PT em comparação com eleições anteriores.
“O Nordeste deu mais uma resposta ao dar recorde de votação para Flávio Bolsonaro e a menor diferença em todas as eleições nossas em relação ao PT. Acho que o Nordeste acordou, abriu os olhos”, declarou.
Podemos anuncia apoio a Flávio
A coletiva ocorreu após uma reunião entre Flávio Bolsonaro e representantes do Podemos, que formalizou apoio ao candidato do PL no segundo turno.
Flávio afirmou que o acordo não representa um “alinhamento automático” nem uma “carta em branco” ao partido.
“É um livro que vamos escrever juntos a partir de janeiro do ano que vem, do nosso jeito, com muita humanidade, mas com muita firmeza também”, disse o candidato, ao lado da presidente do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP).
Renata afirmou que a decisão foi tomada a partir do resultado das urnas e classificou o apoio como um compromisso com o futuro do país.
“As urnas foram abertas e o Brasil deu um recado. Que quer mudança. E o Podemos não pode se distanciar, claro, do que a população brasileira sonha e acredita”, declarou.
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