As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, foram marcadas por uma série de vitórias do Partido Democrata. A legenda conquistou maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, além de ampliar sua presença entre os governos estaduais, até então dominados pelos republicanos em diversas regiões.
O resultado representa um revés para o presidente Donald Trump, que passa a enfrentar uma oposição fortalecida na segunda metade de seu mandato. A votação também entrou para a história com a eleição de representantes que alcançaram marcas inéditas na política americana.
Entre os destaques estão a eleição da primeira mulher negra governadora dos Estados Unidos, da primeira mulher indígena para o Senado e do primeiro homem abertamente gay a conquistar uma cadeira na Casa.
Os democratas também conseguiram vitórias expressivas em estados tradicionalmente republicanos, como Texas e Kansas, além de derrotarem políticos que ocupavam cargos no Congresso havia décadas.
Veja os principais resultados das eleições nos EUA
- Democratas conquistam o Congresso: partido assume o controle do Senado e da Câmara dos Representantes, encerrando a maioria republicana nas duas Casas.
- Avanço nos governos estaduais: democratas conquistam cinco estados anteriormente governados por republicanos: Texas, Geórgia, Nevada, Ohio e Iowa.
- Primeiro senador muçulmano: Abdul El-Sayed faz história ao conquistar uma cadeira no Senado por Michigan.
- Primeira governadora negra: Keisha Lance Bottoms é eleita na Geórgia e se torna a primeira mulher negra a ocupar o cargo na história dos Estados Unidos.
- Primeiro senador abertamente gay: Chris Pappas conquista uma vaga no Senado e entra para a história da política americana.
- Vitória democrata no Texas: James Talarico vence a disputa para o Senado e se torna o primeiro democrata eleito pelo estado desde 1988.
- Fim de jejum no governo do Texas: Gina Hinojosa vence a disputa estadual e encerra uma sequência de 36 anos sem vitória democrata.
- Representatividade indígena: Peggy Flanagan, vice-governadora de Minnesota e integrante da Nação White Earth Ojibwe, será a primeira mulher indígena no Senado americano.
- Vitória histórica no Kansas: Adam Hamilton conquista uma cadeira no Senado, onde os democratas não venciam uma disputa desde 1932.
- Avanço na Carolina do Sul: Annie Andrews vence a eleição e amplia a presença democrata em um estado tradicionalmente republicano.
- Derrota de veterana republicana: Susan Collins perde no Maine após quase três décadas no Senado.
Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara
Uma das principais mudanças provocadas pelas eleições foi a conquista do controle das duas Casas do Congresso americano pelos democratas. O partido encerrou a maioria republicana tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes.
Na Câmara, projeções indicam que os democratas terão 258 cadeiras, formando a maior bancada da legenda desde 1993. O resultado supera com folga as 218 vagas necessárias para garantir a maioria.
Com o controle do Legislativo, os democratas passam a ter mais poder para fiscalizar o governo Trump, influenciar a tramitação de projetos e dificultar a aprovação de propostas defendidas pela Casa Branca.
A mudança também representa um desafio político para o presidente, que terá de negociar com uma oposição fortalecida durante a segunda metade do mandato.
Democratas conquistam cinco governos estaduais
O avanço democrata também foi registrado nas disputas pelos governos estaduais. O partido conquistou cinco estados que estavam sob administração republicana: Texas, Geórgia, Nevada, Ohio e Iowa.
Os vencedores foram:
- Texas: Gina Hinojosa;
- Geórgia: Keisha Lance Bottoms;
- Nevada: Aaron Ford;
- Ohio: Amy Acton;
- Iowa: Rob Sand.
A vitória no Texas é um dos resultados mais expressivos da votação. O estado, considerado um dos principais redutos republicanos do país, não elegia um governador democrata desde 1990, quando Ann Richards venceu a disputa.
Antes do resultado, os democratas também enfrentavam um longo período sem vitórias em eleições estaduais no Texas, o que torna a conquista um marco para a legenda.
O desempenho indica que o crescimento do partido ultrapassou os chamados estados-pêndulo, que costumam alternar entre candidatos republicanos e democratas, e alcançou regiões historicamente alinhadas ao Partido Republicano.
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