Vitor Rangel Aguiar, de 27 anos, que confessou ter matado a estudante de medicina Julia Vitória Sobierai Cardoso, no Paraguai, afirmou em depoimento à Polícia Civil do Maranhão que monitorava as redes sociais da vítima e que o crime foi motivado pela não aceitação do novo relacionamento dela.
O suspeito se apresentou de forma espontânea na manhã da última segunda-feira (4), na Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, acompanhado de advogados. Ele foi ouvido por cerca de três horas no Departamento de Feminicídio.
Segundo a delegada Wanda Moura, responsável pelo caso, o investigado alegou ciúmes e desconfiança em relação à vítima.
“Ele disse que estava com ciúmes, que desconfiava de que ela já estivesse em outro relacionamento e alega alguns lapsos de memória, não sabendo esclarecer todo o passo a passo do crime. Mas, no final, ele confessa”, afirmou a delegada.
A defesa do suspeito reforça a versão de motivação ligada a ciúmes e sentimento de posse.
“Esse sentimento de pertencimento, de dono, interfere na relação. Segundo o relato dele, ela teria terminado o relacionamento e estaria com outra pessoa, embora ainda mantivesse contato esporádico com ele”, disse o advogado Pedro Jarbas.
Entenda o crime
O assassinato ocorreu no dia 24 de abril, dentro do apartamento onde Julia morava com uma amiga, em Ciudad del Este, no Paraguai.
De acordo com a investigação, Vitor entrou rapidamente no prédio — ação registrada por câmeras de segurança — utilizando uma chave que possuía sem o conhecimento da vítima.
Em depoimento, ele confessou ter atacado Julia com extrema violência. Segundo a polícia, a vítima foi enforcada, agredida e esfaqueada dentro do imóvel.
A delegada detalhou a brutalidade do crime:
“Ele enforcou a vítima, a torturou com vários golpes, mais de 50 golpes de tesoura pequena na região do pescoço e depois a esfaqueou. Foram horas de sofrimento infligidas a essa vítima”, disse Wanda Moura.
Dados do Ministério Público do Paraguai apontam que Julia foi atingida por 58 golpes de tesoura de unha, além de sete facadas e estrangulamento.
Prisão e investigação no Brasil
Após o crime, Vitor deixou o Paraguai e retornou a São Luís seis dias depois. Como o mandado de prisão internacional emitido pelas autoridades paraguaias não tem validade automática no Brasil, a Polícia Civil do Maranhão abriu um novo inquérito e solicitou prisão temporária, que foi autorizada pela Justiça.
“Ao saber que ele havia ingressado no território nacional, entrei em contato com as autoridades paraguaias, que repassaram todas as informações levantadas lá”, explicou a delegada Wanda Moura.
O suspeito teve a prisão mantida em audiência de custódia e foi encaminhado ao Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Ele vai responder por feminicídio no Brasil.
Vítima era estudante de medicina
Natural de Chapecó (SC) e criada em Navegantes, Julia vivia no Paraguai desde 2025, onde cursava medicina na Universidad de la Integración de las Américas (Unida).
Segundo amigos, ela havia se mudado para o país em busca do sonho de se tornar pediatra.
As investigações seguem sob responsabilidade do Departamento de Feminicídio do Maranhão.
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