Muitas mulheres com lipedema perceberam que os sintomas começaram na adolescência, pioraram durante a gravidez ou se intensificaram na chegada da menopausa. Essa não é uma coincidência: uma doença crônica, que afeta predominantemente mulheres e pode surgir ou se agravar em períodos de mudanças hormonais.
No Brasil, uma estimativa aponta que 12,3% da população feminina pode ser afetada. A doença é caracterizada por acúmulo desproporcional e, em geral, asimétrico de tecido adiposo, com maior comprometimento de pernas, quadris e, em alguns casos, braços.
“O lipedema não é falta de cuidado com o corpo nem consequência exclusiva do ganho de peso. Reconhecer que ele pode aparecer ou piorar em momentos específicos da vida ajuda a reduzir a culpa e a buscar avaliação no momento certo”, explica a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, @marimilazzotto, mestre em Ciências Médicas e especialista em reabilitação funcional.
Puberdade
A puberdade é uma das fases mais citadas para o início dos sintomas. As mudanças hormonais da adolescência podem favorecer o acúmulo de gordura nos quadris, coxas e pernas, enquanto a jovem ainda não entende por que o volume não acompanha o restante do corpo.
Nessa fase, os sintomas comuns incluem pernas doloridas, sensação de peso, facilidade para formar manchas roxas e dificuldade para reduzir o volume mesmo com atividade física e alimentação equilibrada. O diagnóstico precoce é importante para orientar hábitos e acompanhamento antes que o quadro avance.
Gestação
A gravidez é outro momento em que o lipedema pode ser desencadeado ou piorar. O aumento natural de hormônios, do volume sanguíneo e da retenção de líquidos pode intensificar dor, peso e inchaço nas pernas.
Nem toda gestante com lipedema terá progressão da doença, e nem todo inchaço na gestação indica lipedema. Por isso, mudanças persistentes, importantes, assimetria entre as pernas ou sintomas que não melhoram após o parto devem ser investigados.
Menopausa
A transição para a menopausa também pode alterar o quadro. A queda do estrogênio, as mudanças na distribuição de gordura e a redução da massa muscular podem contribuir para aumento de volume, dor e sensação de peso, mesmo sem grande variação de peso corporal.
A fisioterapeuta reforça que fatores hormonais como puberdade, gravidez e menopausa influenciam a progressão da doença e destaca a importância do diagnóstico precoce e do tratamento conservador.
O que fazer em cada fase
O tratamento deve ser individualizado. Em todas as fases, a avaliação pode considerar atividade física adequada, orientação nutricional, terapia compressiva quando indicada e cuidados com a pele e a mobilidade. A cirurgia não é o primeiro passo e depende de indicação clínica.
“Cada fase pede uma escuta diferente. Na adolescência, é importante evitar a culpabilização; na gestação, diferenciar mudanças esperadas de sintomas persistentes; na menopausa, verificar dor, mobilidade e qualidade de vida. O objetivo é intervir cedo e preservar a função”, conclui Mariana.
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